Sofrimento no casamento cristão

28 nov

casamento

POR JASON HELOPOULOS

Casamento pode ser doloroso – e o casamento cristão não é uma exceção. Quando dois pecadores estão em um relacionamento íntimo como o casamento, haverá muita coisa que poderá causar mágoa. Nossa carne irá se recusar a atender as demandas do auto sacrifício, serviço e humilhação, o que afeta uns aos outros para o mal. Haverá pecados, feridas agravadas, machucados. A dimensão irá variar em cada relacionamento. Alguns serão mais desafiadores que outros, mas todo casamento cristão experimenta alguma sorte de sofrimento.

Entretanto, isso não é completamente negativo (claro, nós não estamos nos referindo a relacionamentos abusivos). Se estamos puramente visando a alegria e a felicidade conjugal em nossos casamentos, então qualquer conflito, luta ou dor que acontecer será devastador. Mas esse não é nosso objetivo final no casamento cristão. Obviamente, oro por todos os casais jovens para que o casamento deles seja cheio de alegrias, e igualmente lamento por aqueles casais que não estão experimentando alegria, pois isso pode ser um fardo pesado para se carregar. Felicidade é bom, mas nenhum casamento cristão irá experimentar alegria ininterrupta. Claro, nós devemos buscar alegria, mas temos um objetivo maior em vista. Assim como em tudo em nossa vida, o grande objetivo de nosso casamento é a glória de Deus (1 Coríntios 10.31).

Essa verdade deve ser um conforto para os casamentos cristãos machucados, pois sabemos que, às vezes, a dor é a estrada pela qual deveremos viajar para alcançar o fim desejado (1 Pedro 4.13). Isso não torna, necessariamente, o sofrimento algo mais prazeroso, mas o torna mais suportável.

É de grande ajuda lembrar que o Senhor escolheu usar a instituição do casamento como uma das ferramentas do seu arsenal santo para nos refinar e nos moldar à imagem de Cristo. De diversas maneiras, o marido e a esposa cristã são como duas grossas lixas de papel colocadas juntas. Com o passar dos anos, as asperezas um do outro vão se esfregar, e, por causa disso e da graça de Deus, eles vão se tornando macios. Sua esposa, querido marido cristão, é um meio pelo qual o Senhor santifica você nessa vida. Ela é um presente. Da mesma forma, querida esposa cristã, seu marido é um meio pelo qual o Senhor está santificando você. Ele é um presente.

Com isso firmemente plantado na mente, nós começamos a ver nosso cônjuge como um aliado, ao invés de inimigo, quando as coisas ficam difíceis. Nosso cônjuge é um companheiro de trabalho no Reino. Nós estamos visando os mesmos propósitos, embora frequentemente fiquemos aquém deles. Nós sabemos que “nossa luta não é contra a carne e o sangue, e sim contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12). Somos irmãos e irmãs, lado a lado, combatendo o bom combate da fé juntos. Não somos inimigos, adversários ou combatentes. Em vez disso, somos companheiros de peregrinação a quem Deus deu o dom de termos um cônjuge que o ama e nos ajuda durante a jornada para a cidade celestial. E, porque somos caídos, de tempos em tempos iremos machucar um ao outro. Mas isso não é o fim. Isso é, entretanto, outra oportunidade para crescermos em graça e piedade enquanto seguimos em frente.

Sofrimento vem e vai, mágoas virão e serão curadas, o perdão será procurado e será concedido; e no meio de tudo isso, Deus nos moldará à imagem de Cristo, nosso Senhor, para a Sua glória. Esse é um fim que vale a pena buscar, não importa o quão difícil essa estrada seja.

JASON HELOPOULOS

Extraído do site Reforma 21

Concordando em quase tudo… Unidos em quase nada

31 out

Se houve um encontro entre líderes da Reforma Protestante que encarnou, mais do que qualquer outro, a heresia que deixaria sua marca indelével nos séculos de divisão que viriam a seguir, esse encontro foi o famoso concílio Protestante que ocorreu em 1º de outubro de 1529, na cidade de Marburg, na Alemanha.

Organizada pelo príncipe Philip de Hesse, que queria formar uma frente política unida entre os protestantes contra as forças católicas no restante da Europa, a conferência contou com a presença da maioria dos reformadores alemães e suíços: Martinho Lutero e Philip Melanchthon, do lado luterano, e Ulrich Zwínglio, Martin Bucer e Johannes Oecolampadius, do lado reformado suíço.

Muitos Pontos em Comum

Os dois principais representantes do movimento de reforma, Lutero e Zwínglio, tinham muita coisa em comum. Ambos rejeitavam a autoridade do Papa e se apegavam à autoridade única das Escrituras; concordavam com a doutrina de justificação somente pela fé; rejeitavam a cerimônia e a doutrina da transubstanciação que era praticada na missa católica.

Lutero aceitara o convite com certa relutância, pois via na teologia de Zwínglio a antiga heresia dos nestorianos, que fazia uma separação entre a divindade e a humanidade de Cristo. Ele acreditava que havia uma relação direta entre o entendimento que se tinha da Ceia do Senhor e o entendimento de salvação e da atividade de Deus no mundo. Já, pelo outro lado, Zwínglio não via impedimentos em estabelecer comunhão com Lutero. Na conferência, ele orou: “Enche-nos, ó Senhor e Pai de todos nós, te suplicamos, com teu manso Espírito; e dissipa em ambos os lados as nuvens de desentendimento e paixão. Põe um fim à luta de fúria cega… Guarda-nos de abusarmos dos nossos poderes e capacita-nos a empregá-los com toda sinceridade para promover a santidade…”

Durante três dias a conferência prosseguiu, discutindo uma lista de quinze itens que Lutero havia formulado. Conseguiram progresso impressionante nos primeiros quatorze itens da lista. Houve acordo sobre a Trindade, sobre a pessoa, a morte e a ressurreição de Cristo, sobre a justificação pela fé, sobre o pecado original, sobre o Espírito Santo, sobre batismo, sobre confissão de pecados, sobre autoridades civis e sobre o erro do celibato entre o clero.

Mesmo sobre a questão da ceia do Senhor, havia vários pontos em comum. Dos seis subitens no décimo quinto ponto, houve acordo em cinco! Concordaram que a doutrina da transubstanciação estava errada, mas que os participantes deveriam receber tanto o pão como o vinho para participar pelo Espírito do corpo e do sangue de Cristo…

Mas quando chegaram à questão da presença real de Cristo no sacramento, as discussões atolaram.

Dividindo-se Sobre a Doutrina do Corpo de Cristo

Zwínglio tinha uma interpretação simbólica, enquanto Lutero citava enfaticamente as palavras do texto: Hoc est corpus meum (“Isto é o meu corpo”). Ele escreveu essas palavras com um pedaço de giz em cima da mesa, onde estavam conversando, e se recusava a aceitar qualquer desvio do significado literal delas.

O argumento de Zwínglio era de que o corpo de Cristo havia subido ao céu (At 1.9) e, portanto, não poderia estar nos elementos da Eucaristia. Cristo estava presente somente no sentido da sua natureza divina, espiritualmente nos corações dos participantes.

Já para Lutero, as palavras deveriam ser aceitas literalmente. O corpo e o sangue de Jesus eram realmente presentes “em, com e sob o pão e o vinho”, sem contudo transformar sua substância, como na transubstanciação. O texto que Zwínglio e Oecolampadius usavam para responder a Lutero era: “O Espírito é que vivifica; a carne para nada aproveita” (Jo 6.63). O argumento, porém, não causou efeito algum sobre Lutero.

Para a maioria das pessoas hoje, essa discussão pode parecer muito trivial; porém, para os reformadores era uma questão de enorme significado. Para eles, o que mais importava para manter a pureza e a fidelidade da reforma na igreja era a doutrina, principalmente naquilo que se relacionava com a justificação por fé em Cristo somente. A discussão da presença de Cristo na Eucaristia era ligada às duas naturezas de Jesus, a humana e a divina. Lutero enfatizava mais a união entre as duas naturezas, enquanto Zwínglio procurava mostrar a distinção entre elas.

Houve momentos no debate em que o tom era ríspido e cáustico. Em outros, cada lado procurava pedir perdão pelo uso indevido de palavras e pela falha em demonstrar o verdadeiro espírito cristão.

A questão, porém, não era tanto o direito que cada lado tinha de discordar, mas a atitude de separação que isso gerou no Corpo de Cristo. Lutero insistia que nenhuma aliança política era possível sem completa concordância doutrinária. Para ele, seus oponentes, como Erasmo, estavam permitindo que a razão humana alterasse as palavras claras das Escrituras. Estavam exigindo que os cristãos levassem algo de si próprios para alcançar a salvação. Por essa razão, Lutero dizia que não via nenhuma razão para ser mais caridoso com os “falsos irmãos” do que era com os seus inimigos de Roma.

“Um lado nesta controvérsia pertence ao diabo e é inimigo de Deus”, Lutero dizia – e ele não estava referindo-se a si próprio!

Fracasso e Divisão

No final da conferência, apesar de todos os pontos em que conseguiram concordar, Lutero se recusou a dar a destra de comunhão a Zwínglio e disse a Martin Bucer, de Estrasburgo: “É evidente que não temos o mesmo espírito!” A partir daí, ele também não demonstrou esforço algum para trazer união ou para tratar seus adversários com amor cristão.

Seja por causa de ambição pessoal, seja por causa do engano de se considerarem os guardiães da verdade e da doutrina pura, os líderes desta primeira cúpula protestante deixaram um modelo que tem-se repetido incontáveis vezes através da história, causando incalculável dano e divisão ao Corpo de Cristo.

Fonte: Revista Impacto – Ano 09, edição 51 -
Compilado por Christopher Walker

Clima pós-eleição: carta aos discípulos de Jesus no Brasil

29 out

petistas x tucanos

Acabamos de passar pelo 2º turno das eleições presidenciais, e o resultado das urnas desagradou muita gente. Afinal, a presidente Dilma Rousseff foi reeleita com pouco mais da metade dos votos válidos, e iniciará seu segundo mandato em uma grave crise de popularidade. Isso tem gerado um clima de frustração, tensão e animosidade nas redes sócias e também nos relacionamentos reais

Isso tem despertado preocupações em nós como pastores do rebanho do Senhor. Por isso, consideramos necessário escrever esta carta a fim de alertar ao máximo possível de irmãos sobre alguns riscos que corremos em momento políticos como o que estamos vivendo. 

Nosso alerta é para que vocês vivam em santidade, e não incorram em pecados, como os que destacaremos a seguir.

1. “Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco! ’, corre o risco de ir para o fogo do inferno” (Mateus 5:22).

Há irmãos nossos que votaram em Aécio Neves, e há irmãos que votaram em Dilma Rousseff. O fato de alguém ter votado diferente de nós não faz com quem seja menos irmão nosso. E por isso, qualquer tipo de declaração do gênero “Quem votou no(a) candidato(a) X é burro, idiota, imbecil˜ é grave e pecaminosa. Quem incorrer nesse pecado terá que dar contas ao próprio Deus. Por isso, se guarde desse tipo de fala ou de comentário. E se você já caiu nesse erro, é tempo de se arrepender e se retratar logo. Não demore em pedir perdão. 

2. “Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim! Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte?” (Tiago 3:9-11).

Somos uma fonte e de nós não pode jorrar bênção e maldição. Infelizmente temos visto nas redes sociais muitas pessoas amaldiçoando os eleitores da presidente reeleita e as autoridades. Ora, se de nós tem saído maldição é porque o problema está na fonte, ou seja, em nós mesmos. Por isso, se guarde de falar mal dos outros. Se você não se acha em condições de abençoar, não diga nada e não peque contra o Senhor. Como Pedro nos ensina: “quem quiser amar a vida e ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade” (1 Pedro 3:10).

3. “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29).

Só deve sair da nossa boca palavras que edificam. O que suas palavras e comentários têm construído? Não se esqueça que nós temos o ministério da reconciliação (2 Coríntios 5:18), e por isso devemos construir pontes, e não muros. Devemos estabelecer laços entre as pessoas, e não cavar abismos. Somos chamados para sermos pacificadores (Mateus 5:9), e no que depender de nós, devemos ter paz com todos os homens (Romanos 12:18). Por isso, avalie com cuidado e com temor a Deus tudo o que você tem construído com seus comentários: pontes ou muros?

4. “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade” (I Timóteo 2:1-2).

Independentemente de concordarmos ou não com os governantes, temos o dever de orar por eles. Oração não significa concordância, mas é clamar ao Senhor para que intervenha. E se Jesus nos ensinou a orar até mesmo pelos que nos perseguem (Mateus 5:22), quanto mais devemos orar pelos que nos governam, ainda que discordemos deles. Por isso, comprometa-se com a oração pelas autoridades e pelo nosso país.

5. “Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer tudo o que é bom, não caluniem a ninguém, sejam pacíficos e amáveis e mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os homens” (Tito 3:1-2).

O texto acima é claro e não exige muitos comentários. Tomem especial cuidado para não caluniarem ninguém. No momento que o Brasil vive, antes de divulgar qualquer notícia nas redes sociais, verifique primeiro a autenticidade e se a fonte é confiável. Não se deixe ser usado por Satanás para espalhar mentiras e calúnias. Nosso compromisso é com a verdade. O pai da mentira é o diabo, e ele não tem nada em nós.

Esses são apenas alguns alertas que queremos transmitir à vocês. É claro que há muitos outros a serem abordados, mas esses são os que consideramos mais urgentes para o momento.

Não deixem de orar pelo Brasil e de abençoar o nosso país.

Em Cristo,
Anderson Paz

“A culpa é desses nordestinos…”

27 out

Não demorou muito para que, logo após a definição das eleições, surgissem os primeiros comentários atribuindo a vitória de Dilma aos eleitores do Nordeste. E muitos muitos desses comentários vêm carregados de teor preconceituoso, chamando os nordestinos de “burros” por terem votado da Dilma.

Ora, não é necessário muita inteligência e nem muito conhecimento matemático para concluir que Dilma não foi eleita apenas com os votos do Norte e do Nordeste. Se Dilma recebesse 100% dos votos desses regiões (o que não aconteceu), e nenhum o voto do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ela não conseguiria ser eleita. Todos os votos do Norte e Nordeste não seriam suficientes para eleger Dilma.

Dilma foi eleita sim. Não apenas com os 70% dos votos dos Nordestinos.

Ela foi eleita porque 52,41% dos mineiros votaram nela.

Foi eleita porque 54,94% dos fluminenses votaram nela.

Foi eleita porque 46,47% dos gaúchos votaram nela.

Foi eleita porque 46,15% dos capixabas votaram nela.

Foi eleita porque 42,90% dos goianos votaram nela.

Foi eleita porque 39,02% dos paranaenses votaram nela.

Foi eleita porque 35,41% dos catarinenses votaram nela.

Foi eleita porque, até mesmo em São Paulo, ela recebeu um número considerável de votos. 35,69% dos paulistas votaram em Dilma.

Dilma foi eleita sim… Não apenas pelos Nordestinos, mas sim porque 51,64% dos BRASILEIROS votaram nela.

Portanto, se você acha que nordestino é “burro” por ter votado na Dilma, sinto em lhe informar duas verdades:

1. Nem todo nordestino é “burro”, pois nem todos votaram na Dilma.

2. Temos “burros” em todos os estados brasileiros, pois Dilma recebeu votos em todos eles. Não houve 1 estado sequer em que Dilma recebeu menos de 30% dos votos.

Portanto, há uma grande probabilidade de que você, mesmo morando no Sul/Sudeste, tenha um vizinho “burro”, um amigo “burro”, um familiar “burro”. E se você tem filhos crianças, ainda existe o grave risco de que, ao completarem 16 anos, estes se tornem “burros” e votem no PT. Afinal, muita gente nos nossos estados do Sul/Sudeste vota nesse partido.

Se você não percebeu isso, talvez seja a hora de considerar que burro não é o nordestino, ou quem votou na Dilma, mas quem nutre uma visão preconceituosa e racista que não consegue enxergar a inteligência, a beleza e a graça do povo e da cultura nordestina que tanto enriquece e engrandece o nosso país.

Espero que você leve em conta as considerações deste carioca que, ao contrário da maioria dos meus conterrâneos, não votou em Dilma (e não me considero nem um pouco mais inteligente por isso), que vive no Paraná (onde Aécio ganhou) e que vai casar com uma nordestina linda e inteligente.

Um abraço a todos.

E que Deus abençoe a presidente Dilma, as demais autoridades, e todo o povo brasileiro.

Anderson Paz
….
* A imagem que ilustra este post foi elaborada por Thomas Conti, Para fazer frente ao discurso de ódio, o economista desenvolveu um gráfico que mostra um Brasil mais uniforme. Ao invés de marcar com cores diferentes os estados onde um ou outro candidato venceu numericamente, Conti fez uma ponderação em relação à proporção de votos.
 

Reflexão sobre as eleições

1 out

urna-eletronica-mao

Por Jamê Nobre

Amados irmãos,

Não temos prática de desenvolver campanhas políticas no âmbito da comunidade, porque respeitamos a liberdade individual e não queremos abrir possibilidade para que o debate produza rusgas em relacionamentos.

Por outro lado, temos uma visão de política muito deturpada pelo fisiologismo (interesses pessoais superando os coletivos, para não falar em corrupção) e pelo personalismo (pessoas recebem voto pelo que são ou significam, sem qualquer ligação com programas partidários e/ou ideologias – pelo que se vota em artista de novela, jogador de futebol, palhaço, animal do zoológico etc.).

Quando de sua visita, o papa Francisco, ao ser questionado sobre política, disse considerá-la uma das mas altas expressões cristãs, porque (assim deveria ser) considera a busca do interesse comum, a despeito dos pessoais.

Há uma frase famosa de que pior que a ação dos maus é a omissão dos bons.

Assim, tenho participado de uma discussão, por e-mail, com diversos homens que reputo serem sérios e dedicados a Deus, para tratar do que fazer diante do cenário político atual.

Não quero apontar candidato, nem vou revelar o meu voto, mas entendo que preciso deixar algumas diretrizes para reflexão e oração, de modo que o seu voto não seja por impulso ou por aparência, mas fruto de uma convicção regada pela presença do Espírito Santo.

1) Não se deixe levar por aparecimentos em cenários religiosos nem por frases concebidas para agradar os ouvintes, mas que não expressam o pensamento do candidato. Olhe a sua carreira (temos muitos recursos hoje).

2) Não encare tudo o que você vê (na Internet, principalmente – como verdade inquestionável. Verifique, compare, cruze fontes de informação.

3) Se você crê em Jesus Cristo e na bíblia como palavra de Deus, não dê seu voto a candidato (ou coligação partidária – tome muito cuidado com isso, porque no Brasil, as coligações podem fazer com que o seu voto seja direcionado para candidatos e partidos completamente diferentes do que você registrou na urna) tenha em sua plataforma posições completamente hostis aos valores cristãos; por exemplo: ensino de sexualidade no ensino fundamental, preconceito contra religiões, apologia à homossexualidade (não sou contra uma legislação que proteja minorias – cada um vive como quer, mas fazer da exceção um valor absoluto é muito diferente), aborto indiscriminado, apoio a regimes ditatoriais e que violam os direitos humanos, hostilidade a Israel etc.

Deus lhe conceda graça e direção para que você possa participar da melhor forma possível.

Últimos comentários:

1) Não deixe de votar (se todas as pessoas sérias se ausentarem, os maus prevalecerão livremente), nem vote nulo ou em branco. Escolha alguém que lhe pareça o “menos ruim” ou vote numa legenda (cuidado com as coligações!) que tenha um discurso “menos afastado” de seus valores.

2) Não se trata de querer consertar o mundo, mas de juntamente com a prática de orar pelos governantes, para que o povo não seja por demais sofrido, escolher com critério aqueles que serão os próximos governantes.

Jamê Nobre
Extraído do site Servindo com a Palavra

“Lugar de igreja é nas casas” – parte 2

2 set

igreja nos lares

POR QUE REUNIR NAS CASAS?

A IGREJA NAS CASAS SE INICIA FACILMENTE

Para iniciar uma igreja na casa nós não precisamos comprar nada. Nem terrenos, nem prédios,nem púlpitos, nem projetores, nem hinários, etc. Só precisamos nos reunir em Nome de Jesus.

Lembrando que a presença Dele já é garantida:

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Mateus 18:20, RA.

Não precisamos pertencer a uma denominação, nem abrir uma empresa para nos tornar parte dela. Não precisamos marcar um horário fixo no domingo pela manhã, tarde ou noite e nem precisamos colocar na porta da casa uma placa informando que ali a igreja se reúne. Tampouco precisamos de um nome para a igreja. Na verdade, nem precisamos chamar o encontro de “igreja”, desde que saibamos exatamente o que é uma igreja.

É claro que ter prédios, ter terrenos, ter púlpitos, ter projetores, etc., não constitui um pecado e nem é errado possuir, mas também não são coisas necessárias para se plantar uma igreja, do contrário, Paulo o apóstolo não teria plantado nenhuma igreja durante o seu ministério. Todas as coisas extras que a igreja moderna agregou não constitui um pecado, mas tampouco são necessárias para a vida da igreja. Não podemos visitar as cidades onde Paulo trabalhou e apontar um prédio e dizer: “Veja que igreja linda que Paulo plantou durante o seu ministério!!!” Isso é impossível! No ano passado fui à Europa três vezes e tive algumas oportunidades de ver prédios fabulosos que foram batizados com o nome de “igreja”. Porém, nenhum destes prédios foram construídos durante o período mais frutífero e santo da igreja. Os apóstolos que são citados várias vezes em nossas pregações e ensinos não construíram absolutamente nenhum prédio chamado igreja.

Em nossa história enfrentamos vários desafios, talvez o maior deles, tenha sido levar a igreja para as casas. Fomos chamados por alguns de seitas, por outros de hereges, e haviam aqueles que nos chamavam de “meninos loucos e débeis”.

“Pregar o evangelho ao ar livre na época de Wesley era o cúmulo do sacrilégio. Era considerado como uma grave afronta à igreja convencional estabelecida. A Bíblia – A Sagrada Palavra de Deus, não podia, segundo os líderes da época, ser proclamada fora do prédio chamado igreja.Os irmãos Wesley e George Whitefield sofreram anos de perseguição por quebrarem as antigas tradições da igreja. No entanto, isso não os deteve”

A IGREJA NAS CASAS AJUDA A ESTREITAR E A TRATAR OS RELACIONAMENTOS

Os “ralacionamentos” como costumamos chamar carinhosamente os relacionamentos, são estreitados e tratados melhor nas casas. Até os tímidos encontram seu espaço no corpo de Cristo quando estamos vivendo no ambiente das casas. Esta proximidade produz naturalmente, entre uma refeição e outra, aquela “cola” que costumamos chamar de vínculos. É claro que não acontece no automático, é necessário que haja pelo menos uma pessoa que entenda sobre os vínculos e anime os demais a viverem na luz abrindo seus corações uns com os outros. Inclusive, confessar pecados numa casa é bem mais simples. Até a ceia do Senhor ganha mais sentido, quando repartimos o pão com quem de fato temos comunhão íntima.

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 João 1:7, RA.

Este relacionamento entre os discípulos se desenvolve melhor no lar, porque a igreja nas casas é descontraída e informal. Lá não é um “desfile de modas”. O padrão do vestuário não é alto demais como em alguns salões de igreja. Nas casas as pessoas estão bem mais à vontade. Quando uma igreja se reúne nas casas e se vincula, ao participar de uma reunião maior, num prédio com mais espaço por exemplo, o ambiente é de amizade com simplicidade. Quando esta igreja vive relacionamentos nas casas e se reúne para uma celebração com mais pessoas, com discípulos de várias outras casas, ao término da reunião, os discípulos não se apressam para ir embora, eles ficam conversando e desfrutando da comunhão. Mesmo em espaços maiores, não se abandona a simplicidade das casas. Este comportamento da igreja igreja nas casas durante celebrações maiores, algumas vezes produz impacto naqueles que nunca experimentaram viver nos vínculos próximos. Somente através dos vínculos a igreja experimenta de fato “crescimento” (maturidade) espiritual.

“e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” Colossenses 2:19, RA.

A IGREJA NAS CASAS É ECONÔMICA

Eu poderia escrever bastante sobre este aspecto da igreja nas casas, mas creio que você já sabe disso. Uma igreja na casa pode canalizar para os ministérios, quase todo seu recurso financeiro. Além disso, se alguém mais abastado entregar suas primícias, a igreja pode estender seus braços e atender também os necessitados não convertidos, uma vez que a sua carga financeira se projeta praticamente sobre os ministérios.

A IGREJA NAS CASAS É UMA EXCELENTE FERRAMENTA EVANGELÍSTICA

Desde o final dos anos 80, quando a igreja na Coréia, Seul, explodiu em crescimento numérico, vários estudiosos sobre a igreja começaram a apontar esta ferramenta de multiplicação: A igreja nas casas.

Este movimento, no decorrer dos anos, ganhou vários nomes: grupo caseiro, grupo familiar, grupo de discipulado, unidade de pregação, unidade de ensino, e por fim, o mais famoso deles: “célula”.

A igreja em células na verdade não é uma igreja COM células. A igreja em células, conforme é explicada, é uma igreja com a base nas casas e usa esta plataforma para evangelizar. Ninguém discorda que as igrejas em células são as que mais se multiplicam. As vezes não crescem (amadurecem) por causa da ênfase demasiada na multiplicação que, muitas vezes, cegam seus líderes a ponto de não tratarem dos pecados da igreja, mas é incontestável que a multiplicação nas casas acontece de forma maravilhosa. Muitas pessoas que não aceitam um convite para visitar um prédio chamado igreja, aceitam ir numa casa para receber orações, ouvir a Palavra ou mesmo para um bate-papo informal, onde fatalmente serão semeadas.

É muito revelador observar a maneira como Jesus enviou seus discípulos para pregar, ensinar, curar enfermos, limpar leprosos, ressuscitar mortos. Ele focou a sua base nas casas. Confira:

“E, em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. Ao entrardes na casa, saudai-a; se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz.” Mateus 10:11-13, RA.

Creio que virão dias difíceis sobre a terra. Este é o testemunho que tenho no meu coração: “O sistema (mundo) vai tremer. A igreja precisa despertar. O vento vai soprar e as águas cairão sobre a terra.” Tenho visto ciclones vindo de várias direções diferentes e causando destruição em seus caminhos. Outro dia, pela manhã, enquanto limpava o escritório encontrei uma profecia de David Wilkerson, datada de1991. Parecia que ele tinha visto meus sonhos, meus pensamentos e minhas reflexões com Deus sobre os dias que virão.

Quando isso me enche a mente e o coração, e vejo que é tempo da igreja “apressar” a vinda do Senhor, a visão da igreja nas casas cresce, pois sei que é lá que a igreja vai sobreviver a tudo e passar pela tempestade que virá, e estará à frente do mundo, fazendo discípulos de Jesus como nunca antes.

A IGREJA NAS CASAS FAVORECE O DISCIPULADO E O TREINAMENTO DE NOVOS PASTORES

Uma vez que o discipulado acontece através de relacionamentos próximos e através da comunicação de vida e exemplos, a igreja nas casas favorece pela proximidade e pelo ambiente natural. Como disse anteriormente, a casa coopera com os “ralacionamentos” e portanto o discipulado.

Da mesma forma, a formação dos novos pastores acontece melhor nas casas. É como um médico assistente, um copiloto. Sei que vivemos num tempo em que a maioria das pessoas quer passar de ano sem aprender a matéria. Querem tirar a carteira de motorista sem saber dirigir, mas no reino de Deus não funciona assim. Desta forma, o Senhor Jesus ensinou os apóstolos com a própria vida. Seus discípulos aprendiam de perto. Assim como Jesus fez, os apóstolos também fizeram e a igreja nas casas , por sua proximidade, pode também fazer. Mas como assim?

Esse era o método de Jesus. Seus discípulos aprendiam observando, ouvindo, perguntando e praticando, enquanto viviam com o próprio Mestre.

Paulo, o apóstolo, não fez diferente:

“O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” Filipenses 4:9, RA.

Aprendemos a pastorear recebendo, ouvindo e vendo. A igreja nas casas favorece isso.

A IGREJA NAS CASAS PODE SOLUCIONAR O “PROBLEMA” SANTO DA MULTIPLICAÇÃO

Algumas congregações crescem tanto que precisam construir mais, fazer mais reuniões, alugar instalações maiores, isso é o que chamamos de “problema bom”. No entanto, há também uma solução BOA. A igreja nas casas pode resolver tudo isso, sem perder qualidade e sem gerar carga financeira sobre o povo. A manutenção de um prédio, além de consumir dinheiro, consome também o interesse dos discípulos. Normalmente eles deixam de focar às vidas e se concentram na estrutura física.

Conheço alguns pastores que gastam a maior parte do seu tempo com as ovelhas e de vez em quando são tentados a arrumarem um prédio para colocar os discípulos dentro. Quem já caiu nesta armadilha e trabalha com a igreja nos lares, sabe o que estou dizendo. Como a estrutura física nos consome. Quanto do nosso recurso e da nossa energia poderiam ser destinados ao rebanho.

“Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.” Atos 2:41, RA.

“Muitos, porém, dos que ouviram a palavra a aceitaram, subindo o número de homens a quase cinco mil.” Atos 4:4, RA.

Como a igreja conseguiu vincular todas estes novos convertidos sem um prédio para fazer reuniões?

Será que nós, com a cobertura do Espírito Santo, não podemos fazer o mesmo? Será que conseguimos pastorear aqueles que o Senhor salva, apenas nas nossas casas?

ONDE VOCÊS SE REÚNEM?

“E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.” Atos 5:42, RA.

Sei que você já sabe, mas não custa nada repetir. Os primeiros cristãos não se reuniam no templo, como o texto acima pode sugerir. Eles se juntavam nos pátios, ou perto do Templo dos judeus, onde as pessoas se reuniam. Observando bem a situação, podemos concluir que eles aproveitavam para fazer reuniões ao “ar livre”.

A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO de Lion afirma que os cristãos não tinham nenhum prédio especial, mas reuniam-se em casas particulares: “Rústico, o Perfeito, perguntou o seguinte a Justino Mártir (100-165 d.C.): ‘Onde vocês se reúnem?’ Justino disse: ‘Onde as pessoas escolhem e podem ir, ou você supõe que todos nós nos reunimos no mesmo lugar? Nada disto, porque o Deus dos cristãos não está confinado (restrito) a um só lugar’“.

Muitos irmãos que iniciaram nesta obra, desistiram no caminho por vários motivos. Alguns foram  vítimas de preconceitos, outros desanimaram por conta do próprio trabalho, e ainda aqueles que por não verem os frutos que buscavam no início, retrocederam. Penso que todos que provaram a vida da igreja nas casas, mesmo com dificuldades ou esbarrando em alguma estrutura extra, ainda permanecem com uma chama em seus corações, pois não dá para retornar de fato ao antigo modo de vida, depois que provamos relacionamentos e nos vinculamos de ao corpo vivo, nos tornamos inúteis ao sistema religioso.

Quero animar o seu coração a retornar ou permanecer nesta obra. Eu lembro que o meu amado Gerson Fonseca Mendes foi discriminado várias vezes em São Paulo por reunir a igreja nas casas. Alguns pastores se referiam a ele como “O pastor sem igreja”.

SERÁ QUE DOIS OU TRÊS IRMÃOS REUNIDOS EM NOME DE JESUS CONSTITUI UMA IGREJA?

Sim. Jesus disse que: “… onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Mateus 18:20, RA.

“Jesus dentro do nosso coração” é uma experiência pessoal, íntima e particular. “Jesus no nosso meio” é uma experiência de corpo. Ele está entre nós. Ele nos toca, Ele nos fala, Ele ministra através dos dons do Espírito Santo. Isso não é apenas uma experiência pessoal e particular, trata-se de uma experiência comum, ou seja, de uma comunidade. O Espírito é derramado sobre todos. Tertuliano, um dos pais da igreja primitiva, disse: “Onde houver dois ou três crentes, até mesmo leigos, aí haverá uma igreja…” Será que ele não estava interpretando o texto de Mateus 18:20?

A IGREJA NÃO É IGREJA – por ter sido registrada na Junta, por possuir CNPJ.

A IGREJA NÃO É IGREJA – por ter sido reconhecida por uma denominação.

A IGREJA NÃO É IGREJA – porque tem “cultos regulares” aos domingos.

A IGREJA NÃO É IGREJA – porque se reúne num determinado local.

A igreja são dois ou três reunidos sob o senhorio de Jesus Cristo, em Nome Dele.

E SE NÃO HOUVER APÓSTOLOS, PROFETAS, EVANGELISTAS, PASTORES E MESTRES, AINDA ASSIM É UMA IGREJA?

Paulo, no capítulo 4 da carta aos Efésios disse que Deus deu estes ministérios à igreja. Se o Senhor concedeu estes dons à igreja, podemos concluir que a igreja já era igreja sem eles. Poderia ser uma igreja nova, débil, como meninos agitados por todo o vento de doutrina, mas ainda assim era a igreja.

E OS PRESBÍTEROS? A IGREJA EXISTE SEM ELES?

Quando Paulo e Barnabé foram enviados de Antioquia, na primeira viagem, eles estabeleceram igrejas em quatro cidades. Quando retornavam à Antioquia, eles ordenaram presbíteros para essas igrejas.

“E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” Atos 14:21-23, RA.

Parece que Tito experimentou algo semelhante, ou seja, levantou presbíteros em igrejas estabelecidas.

“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi:” Tito 1:5, RA.

A igreja nas casas não é garantia de “sucesso”, do contrário, Jesus não teria repreendido tão fortemente a maioria das igrejas na Ásia (Apoc. 2 e 3). Lá estavam as igrejas apostólicas. Havia ainda um apóstolo de Jesus vivo, João. Certamente as igrejas caminhavam sob a direção apostólica. Por que então havia tantos problemas? Porque onde houver homem haverá problema.

A igreja nas casas não nos livra dos problemas, pelo contrário, nos aproxima mais deles. Nos relacionamentos próximos trabalhamos muito mais. Para mim é muito mais fácil subir num púlpito para pregar ou ensinar, do que sentar com os irmãos para tratar de pecados, de conflitos, etc.

O presbitério onde eu participo, quer seja no Rio onde estou baseado, ou nas cidades onde supervisiono, trabalha muito mais quando nos sentamos para pastorear aqueles problemas que facilmente passariam despercebidos numa reunião gigante dentro de um grande prédio, mas que através do discipulado nas casas, não é possível ficar invisível.

“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” João 1:17, RA.

Quando lemos o Novo Testamento, observamos que há diferença em alguns aspectos da lei e da graça e verdade. Os sacrifícios e pactos – Circuncisão, sacrifícios de animais, já não são mais necessários. Os dias santos de festas – O sábado, o pentecostes, a páscoa, etc. A alimentação – O que é permitido e o que não é permitido. Rituais e paramentos – No serviço sacerdotal. Com a vinda de Jesus, várias destas práticas da lei mudaram. Porque algumas destas coisas são “sombras” e outras possuíam aspectos espirituais que se cumpriram cabalmente em Cristo.

Já em outros casos, a graça e a verdade trouxeram uma carga ainda maior, para isso basta ler os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus. Neste ensino de Jesus, podemos perceber que alguns mandamentos de Deus se tornaram mais claros e profundos. Não houve mudança no sentido de não se praticar mais o mandamento, ao contrário, Jesus explica o porque da prática. Ele trouxe a graça e a verdade.

De forma simples podemos dizer assim: Que o Verbo de Deus, Jesus Cristo, cumpriu toda a lei e por isso, os paramentos, rituais e ministérios da lei de Moisés, deixaram de ser necessários, pois Jesus deu sentido espiritual à vários mandamentos da lei. Corrigiu alguns ensinos equivocados dos judeus e explicou e aprofundou os mandamentos morais. No entanto, muitas dessas sombras ainda pairam sobre a igreja de Jesus Cristo nos dias atuais. Nos dias dos apóstolos, eles tratavam de aclarar a situação para que as sombras se fossem.

“porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.” Colossenses 2:17, RA.

QUE TIPO DE SOMBRA AINDA PAIRA SOBRE A IGREJA HODIERNA?

Confundir a igreja com qualquer outra coisa que não é igreja é uma das piores sombras dos nossos dias. O autor da carta aos hebreus disse que o verdadeiro tabernáculo foi erigido pelo Senhor e não pelo homem.

“Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem.” Hebreus 8:1, 2, RA.

Paulo em Atenas também disse:

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.” Atos 17:24, RA.

Estevão, um pouco antes de morrer apedrejado, despertou a ira dos judeus ao dizer:

“Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta:” Atos 7:48, RA.

Eu poderia citar aqui vários outros textos que dizem que nós somos a igreja, a casa de Deus. Que nós somos o santuário do Espírito Santo e que Ele habita (não visita) em nós. Deixo aqui somente alguns:

“Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós.” 2 Timóteo 1:14, RA.

“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” 1 Coríntios 3:16, RA.

“Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita.” Romanos 8:11, RA.

De uma vez por todas precisamos crer que as sombras se cumpriram em Jesus Cristo. Não precisamos mais do Tabernáculo, nem da Arca da aliança, das vestes sacerdotais do Templo, da sua mobília, ou coisas semelhantes. CRISTO É TUDO EM TODOS. NELE, SOMOS COMPLETOS.

Podemos cantar aquela canção: “ESTOU VOLTANDO A ESSÊNCIA DA ADORAÇÃO, E A ESSÊNCIA ÉS TU… JESUS”, pois não precisamos de um altar de incenso, dos pães da propiciação, da pia, do Urim ou Tumim, do lugar santo, lugar santíssimo. Mas por que não precisamos? Porque o véu foi rasgado! Porque não precisamos de sombras, nós já temos a “essência”, a substância. Ele se chama JESUS CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO!

Aleluia!!!

“Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.” João 4:20-23, RA.

Não há lugar mais santo na terra do que o santuário de Deus que somos nós. O Espírito Santo habita em nós. Por esta causa devemos guardar o nosso corpo em santificação e honra, pois Deus habita em nós e nós O adoramos em espírito e em verdade. Amém!

No amor do Senhor Jesus,

Sérgio Franco

“Lugar de igreja é nas casas” – parte 1

31 ago

igreja nas casas

Estou convencido de que a nossa maior dificuldade para entender a vida da igreja nas casas é a nossa compreensão sobre a própria igreja. Por isso, antes de falar da igreja se reunindo nas casas, vou escrever um pouco sobre a essência da igreja. Pois se entendermos a igreja, podemos  vê-la como relacionamentos da família de Deus nas casas.

COMO SURGIU A IGREJA?

Através da nossa união com Cristo nasceu então a igreja, que também é chamada, dentre muitos nomes, de família de Deus, corpo de Cristo, noiva do Cordeiro e templo do Espírito Santo. A igreja, por sua multiforme expressão, é exemplificada de muitas maneiras. Ela também é chamada de lavoura de Deus, casa de Deus, edifício de Deus, coluna e
baluarte da verdade. Não é fácil defini-la, portanto, vamos deixar as Escrituras descrevê-la:

O QUE É A IGREJA?

“E ele mesmo (Jesus Cristo) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” Efésios 4:11-13, RA.

Uma igreja certamente não é aquele prédio de esquina, com janelas de vitrais e o campanário em cima. A igreja talvez se reúna lá, mas este prédio não é a igreja,

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” Efésios 3:20,21, RA.

A palavra original no grego, ekklesia, é composta por duas palavras: ek, que significa “para fora de” e Kalleo, que significa “eu chamo”. o significado simples da palavra igreja no grego é: “eu chamo para fora de” , ainda que a compreensão do termo no grego não seja suficiente para compreender a igreja, pois ela é espiritual e portanto precisamos de
revelação, se fosse tão racional assim, vários mestres modernos e pós modernos das Escrituras já teriam visto a igreja, uma vez que eles conhecem muito mais a letra do que a maioria de nós.

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” Efésios 5:25-27, RA.

Numa tradução livre, quando Jesus disse: “Eu edificarei a minha igreja”, Ele poderia estar dizendo: “Chamarei o meu povo para fora do mundo. Eles congregarão em meu Nome e as portas do inferno não prevalecerão contra eles”.

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” 1 Pedro 2:9, RA.

Alguns defendem que “ekklesia” tem dois significados e sentidos: o de sermos chamados para fora e o de estarmos reunidos, pois não podemos experimentar a igreja até que nos reunamos.

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Mateus 18:20, RA.

“…para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” 1 Timóteo 3:15, RA.

Todos os cristãos de uma cidade constituem a igreja desta cidade. Mesmo quando não se reúnem juntos no mesmo lugar, ainda assim são igreja. “Reunir-se” não significa que precisamos estar no mesmo lugar ao mesmo tempo. Isso, provavelmente nunca acontecerá em nenhuma cidade. Muitos tentam encontrar uma “definição universal de uma igreja local bíblica”, um modelo de igreja na cidade. Isso é realmente difícil, já tentamos mais de uma vez e portanto sei do que estou falando. Em 1990, portanto há mais de vinte anos, li uma definição muito interessante, embora não absoluta: “Pessoas movendo-se juntas sob o senhorio de Jesus Cristo”.

“E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.” Efésios 1:22,23, RA.

“…para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais,” Efésios 3:10, RA.

“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” 1 Pedro 4:10, RA.

A igreja de Deus vive para Sua glória. Ela deve manifestar o Senhor e fazer a Sua vontade. Ela é a expressão do reino de Deus sobre a terra. Sendo família de Deus ela é composta pelos filhos de Deus na terra e no céu. Sendo corpo de Cristo ela obedece a cabeça e cumpre o seu ministério. Quando a igreja não cumpre o seu papel, o Senhor a anima, repreende e até corrige (disciplina), a fim de que ela não seja julgada com o mundo. Situações como estas nós lemos nas cartas às sete igrejas da Ásia (capítulos 2 e 3 de Apocalipse).

Há mais de vinte anos Deus nos falou sobre este tema. Creio que a igreja a qual estou vinculado ainda não experimentou de fato esta revelação na sua plenitude. Por que digo isso? Porque nós nos esbarramos em estruturas que muitas vezes impedem a vida de comunidade. Oro ao Senhor que me conceda experimentar esta bênção aqui na terra. Tenho que admitir que durante estes anos já avançamos alguma coisa e que até estivemos mais perto desta realidade, mas o mundo concorre e com a ajuda da carne nos acomodamos e retrocedemos. Muitas vezes até tornamos a edificar o que destruímos debaixo de convicção de arrependimento.

Nos finais dos anos 80, as primeiras lições que nos chegaram eram simples e portanto, muitos de nós, por conta na nossa herança religiosa, relutaram em receber a visão que Deus estava nos dando.

Como Deus começou a nos falar sobre este tema? Ele começou a nos mostrar o papel da casa desde o início. E mesmo com um linguajar ainda religioso, nós começamos a considerar o seguinte:

O PRIMEIRO “CULTO DE ADORAÇÃO” À JESUS CRISTO ACONTECEU NUMA CASA.

“Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.” Mateus 2:11, RA.

O PRIMEIRO “CULTO DE CURA E LIBERTAÇÃO” FOI NUMA CASA

“Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre. Mas Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo. Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes;” Mateus 8:14-16, RA.

O PRIMEIRO “CULTO DE CEIA” FOI REALIZADO NUMA CASA

“E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos.” Mateus 26:18, RA.

JESUS PREGOU A MUITAS PESSOAS REUNIDAS EM CASAS

“Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.” Marcos 2:1, 2, RA.

O PENTECOSTES VEIO A UMA IGREJA EM CASA

“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.” Atos 2:1, 2, RA.

O EVANGELHO CHEGOU AOS GENTIOS EM UMA CASA

“Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judéia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus. Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o argüiram, dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles.” Atos 11:1-3, RA.

SAULO PERSEGUIU A IGREJA NAS CASAS

“Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere.” Atos 8:3, RA.

JESUS SE IDENTIFICA PLENAMENTE COM A IGREJA NAS CASAS

“e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” Atos 9:4, RA.

“Então, caí por terra, ouvindo uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” Atos 22:7, RA.

“E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões.” Atos 26:14, RA.

PAULO CONVERTIDO PLANTAVA E AMAVA A IGREJA NAS CASAS

“Saudai Priscila e Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios; saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles. Saudai meu querido Epêneto, primícias da Ásia para Cristo.” Romanos 16:3-5, RA.

“As igrejas da Ásia vos saúdam. No Senhor, muito vos saúdam Áqüila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles.” 1 Coríntios 16:19, RA.

“Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa.” Colossenses 4:15, RA.

“e à irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que está em tua casa,” Filemon 1:2, RA.

PAULO, ANTES DE SER PRESO E MORTO ALUGOU UMA CASA E ALI REUNIA A IGREJA

“Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.” Atos 28:30, 31, RA.

A igreja do primeiro século se reunia nas casas. Ela não tinha prédios. Os prédios não apareceram até o ano 232 d.C. O período mais explosivo de crescimento da igreja na história aconteceu nos primeiros anos, quando não havia nenhum prédio chamado igreja. Como disse anteriormente, Paulo saudava a igreja nas casas (Rm. 16:3-5; 1 Co. 16:19, Cl. 4:15, Fm. 1:2).

Sei que muito se fala na atualidade sobre a igreja nas casas, mas este tema não é tão novo. Na verdade, quando eu tinha lá os meus 28 anos, já conversávamos sobre isso e buscávamos cada vez mais compreender este “modelo” de igreja.

No final dos anos 80, conversei com meu pastor algumas vezes sobre a vida da igreja nas casas. Ele achava graça e considerava tudo uma utopia. O meu argumento principal com ele era o fato de existir nos países, onde a igreja era perseguida, várias casas hospedando a igreja.

Semana passada, enquanto limpava o meu escritório, deparei-me com uma carta, endereçada ao meu pastor amado, datada de 06 de abril de 1989. Assinei a carta assim: “Sérgio Rodrigues Franco, servindo à igreja que se reúne nos lares e no salão sito à Rua…” Dei uma gargalhada ao recordar que em 1989, os discípulos que caminhavam conosco, já consideravam a possibilidade da igreja ser igreja também nas casas.

Seguindo na minha faxina encontrei outra relíquia. Em fevereiro de 1990, uma revista americana publicou o relatório de Loren Cunningham, fundador e presidente da JOCUM (Jovens com Uma Missão): “De acordo com o U.S. Center For Mission (Centro Americano Para Missões Mundiais), mais de 22.000 chineses estão vindo a Cristo a cada dia. É o equivalente a 7 dias de Pentecostes a cada 24 horas.”

Claro que não haviam prédios para todos os novos convertidos. Onde então estava se reunindo esta igreja? Você já sabe a resposta: “NAS CASAS”.

Continua no próximo post…

Em Cristo,

Sérgio Franco

O pecado da preguiça – parte final

29 ago

ruínas

“Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas. Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução. Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.” (Provérbios 24:30-34)

“Como a porta se revolve nos seus gonzos, assim, o preguiçoso, no seu leito.” (Provérbios 26:14)

Os textos sempre relacionam o preguiçoso com a cama. Alguns dizem: “Mas eu durmo pouco!”. Entretanto, a questão não é dormir muito ou pouco, mas dormir o necessário. Jesus dormiu no barco em meio à tempestade pois estava muito cansado (Marcos 4:38). O problema é quando a cama se transforma em uma fuga. A pior coisa para mim é quando alguém tem um compromisso e é vencido pela cama.

Eu nunca perdi um voo em minhas viagens. Um dia eu peguei um táxi e o motorista me contou de uma passageira que chorou a viagem inteira pois perdeu um voo para a Europa. O motivo é que ela havia chamado o táxi com pouquíssimo tempo de antecedência. Eu pergunto: O que faz uma pessoa que tem um compromisso tão importante na Europa atrasar e perder um voo? Estava cansada, acordou tarde?

Quem tem uma responsabilidade às vezes nem dorme antes.Quando eu era criança sempre demorava muito para acordar e ir à escola. Entretanto, quando era para passear ou ir à praia eu mal dormia e acordava rápido, não medindo esforços. Quando existe interesse a situação muda de figura. Será que temos para um compromisso a mesma disposição que temos para um lazer, ou então para com responsabilidades mais sérias que assumimos na vida (casamento, paternidade, família etc.)?

“Mais sábio é o preguiçoso a seus próprios olhos do que sete homens que sabem responder bem.” (Provérbios 26:16)

“Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa.” (Eclesiastes 10:18)

O preguiçoso, além de tudo, é soberbo. Ele confia mais na sua visão medrosa e medíocre do que no conselho de pessoas sábias e entendidas. Por exemplo, alguém compra uma franquia. A franquia tem todo um conjunto de regras de procedimentos, mas essa pessoa, preguiçosa e se julgando capacitada e conhecedora de tudo, mesmo com conselhos de outros que entendem do negócio, não se humilha, faz diferente e acaba naufragando nesse negócio.

As verdades do Reino de Deus se aplicam a qualquer seguimento da nossa vida. Se aplicam a toda nossa vida. Extraímos das histórias bíblicas alguns princípios que servem tanto para o desenvolvimento da nossa vida natural como também para da espiritual.

“Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.” (Filipenses 3:12-16)

O que a preguiça pode fazer de mais maligno em nós é bloquear ou interromper nossa caminhada com Jesus, nos impedir de chegar espiritualmente onde precisamos. Não conquistaremos ninguém para algo pelo qual não fomos ainda conquistados. O primeiro passo é ser rendido, vencido. A palavra “render” tem uma conotação militar, ou seja, quando o evangelho verdadeiramente nos conquista, então nos rendemos a ele. Quando somos rendidos a Deus podemos levar outros a também se renderem a Ele.

O passado não é bom para nada. Quem olha para um passado ruim não avança, pois fica com medo de que alguns fracassos, derrotas e decepções se repitam; quem olha para um passado bom também não avança, pois fica nostálgico de coisas que deram certo e hoje são diferentes. Salomão disse que não é sábio perguntar “…por que foram os dias passados melhores do que estes” (Eclesiastes 7:10).

Paulo disse “esquecendo-me das coisas que para trás ficam”, ou seja, quer tenham sido coisas boas ou ruins já passaram, já acabaram e agora tem que avançar, não pode ficar parado. A preguiça sempre destrói a vida espiritual pois nos impede de crescer, de progredir em direção ao alvo, ao “prêmio da soberana vocação”, ao chamado de Deus em nossas vidas.

“Prossigo para conquistar” e “prossigo para o alvo” traz a ideia de estar ativo, em movimento, trabalhando, de não estar estático ou parado.

“Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento”. Como é isso, já que o próprio Paulo afirma antes que ele ainda não havia alcançado a perfeição? Será que ele estava confuso? Mas há um texto que esclarece isso:

“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.” (Hebreus 10:14)

O escritor está dizendo que “a caça já é nossa”, ou seja, já fomos aperfeiçoados com o sacrifício único de Jesus. Mas “levar a comida à boca” depende de nós, ou seja, vivemos diariamente um processo de santificação e aperfeiçoamento. Jesus fez a pior parte, o impossível para nós – com um único sacrifício consumou, resolveu, aperfeiçoou tudo – mas agora somos nós que temos o compromisso de nos santificarmos. Assim, a vitória já é nossa mas precisamos trabalhar para consolidá-la; somos mais que vencedores, mas temos de lutar para conquistar isso. Não podemos cruzar os braços e deixar a preguiça nos vencer. Antes, vamos sair da letargia, do marasmo que pode nos destruir e nos matar de fome. O preguiçoso vive com fome pois tudo em sua vida é inacabado.

Em minha Bíblia, o capítulo 2 da Epístola aos Hebreus começa com um título: “Os perigos da negligência”, mas podemos colocar também “Os perigos da preguiça”.

“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade. ” (Hebreus 2:1-4)

Sabemos que Jesus já conquistou a vitória completa sobre todas as coisas através da sua morte e ressurreição. Desta forma, como cristãos, devemos nos apegar com mais firmeza a essas verdades que temos ouvido, aprendido e recebido, pois o preguiçoso negligencia “tão grande salvação”. O texto diz que quem negligencia, quem não termina ou não consolida o que tem recebido não escapará do juízo do Senhor.

Nós somos “franquias” do céu na Terra – quem nos comanda é o Senhor. Ele já fez tudo e o que nos resta é obedecê-Lo, não inventando coisas novas ou desconsiderando o que já foi feito e dito por Ele. Se nos apegarmos a essas verdades alcançaremos o que já foi conquistado por Deus a nós. No dia do juízo não haverá desculpas e seremos cobrados por não cumprir em vida tudo o que o Senhor Jesus já cumpriu na cruz. “Ah, mas o leão estava na rua e ia me morder!” O diabo “ruge como leão” mas não é o leão; ele só faz barulho e assusta, mas o seu lugar é debaixo dos nossos pés. Jesus nos conquistou um lugar de autoridade sobre ele e não podemos negligenciar esse fato tornando-nos preguiçosos ou indolentes (Hebreus 6:12).

Quero incentivá-lo a acordar, a despertar do sono, a deixar de ser preguiçoso e lutar pela sua salvação que já foi conquistada por Cristo. Levante, reaja, não permita que nada o desmorone, desvirtue ou afaste da verdade. Você foi feito à imagem e semelhança de Deus e precisa se dispor a trabalhar pois Ele não para, mas trabalha continuamente até agora (João 5:17). Não cruze os braços, não abaixe suas armas, não se permita ficar parado aceitando coisas que lhe bloqueiam e impedem de prosseguir, de crescer.

“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.” (Salmos 103:1,2)

Nossa alma precisa de ordens, de comandos. Devemos ordená-la a se levantar, marchar, lutar, encarar todas as situações. Deus já nos chamou, já nos consolidou, já nos entregou tudo. O que precisamos agora é abandonar a preguiça e trabalhar, realizar, concretizar na Terra o que já foi concretizado no céu. Já sabemos como lutar contra a carne, o diabo e o mundo. Então, o que nos resta agora é levantarmo-nos e atacar, reagir e agir.

“Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR nasce sobre ti.” (Isaías 60:1)

“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:10)

Não deixe que a preguiça lhe roube e destrua. Você não é preguiçoso mas é filho de Deus criado à imagem e semelhança d’Ele para praticar boas obras. Fomos chamados para uma vida de conquistas em todas as áreas da vida. Deus quer nos levantar com vitórias reais, entregar muitas coisas em nossas mãos e nos dar graça e sabedoria para administrá-las.
Entretanto, todas as vitórias neste mundo são efêmeras, passageiras. A maior vitória será chegar na glória e poder dizer como Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4:7), ou seja, “Cheguei aqui pois lutei, conquistei, alcancei, venci! Não olhei para trás, não fiquei apegado ao passado! Um dia eu acreditei que podia vencer, acreditei no chamado do alto, na minha soberana vocação, na voz que vem do céu!”

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” (Hebreus 12:1-3)

“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.” (1 Coríntios 9:24-27)

“Bendito seja o SENHOR, rocha minha, que me adestra as mãos para a batalha e os dedos, para a guerra;” (Salmos 144:1)

Tire todo o peso, todo pecado e todo embaraço que lhe amarra e corra a corrida que lhe foi proposta por Deus! Você é um atleta do Senhor e a sua vitória já foi plenamente conquistada! Reaja, pois Aquele que lhe chamou é Poderoso! É Ele quem lhe adestra para a batalha, quem lhe capacita, reveste, unge e renova!

Deus é poderoso para tomar um galho seco e torná-lo à vida. Então, se você caiu não permaneça caído. Se Ele o levantou uma vez, o levantará novamente.

“Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.” (Salmos 121:1-4)

Deus não dorme, não é preguiçoso. Ele está atento a tudo, a todas as nossas necessidades. Basta dizermos a Ele: “Deus, eu estou cansado mas a força que eu preciso não vem da minha carne, do meu próprio vigor!” É Ele quem “faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor” (Isaías 40:29). Por isso, “posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

Deus tem para nós a provisão para cada hora, para cada dia, para cada desafio, montanha e inimigo que enfrentamos na vida. Ele é a força e o poder que vem do alto. O Deus que nos levantou um dia o fará de novo quantas vezes se fizerem necessárias. Ele é “o Senhor, forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas” (Salmo 24:8). O que não podemos é ficar enrolando na cama de um lado para o outro, justificando-nos e deixando-nos cair pela preguiça.

Dentre as muitas qualidades da mulher virtuosa que a Bíblia relata no livro de Provérbios, uma delas é que “atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça” (31:27). Essa mulher existe, é real. Primeiro, ela existe no coração de Deus e no poder do Espírito Santo. Segundo, ela existe porque eu mesmo sou testemunha de várias delas e, principalmente, da minha esposa. Minha mulher é uma guerreira, mas sou testemunha de que no início ela não era assim. Casei-me com uma menina que literalmente “comia o pão da preguiça”, mas Deus fez uma obra tremenda em sua vida. Hoje eu me pergunto de onde ela tira tanta força todos os dias.

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias. O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho. Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida. Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos. É como o navio mercante: de longe traz o seu pão. É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas. Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho. Cinge os lombos de força e fortalece os braços. Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca. Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado. No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate. Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura. Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra. Ela faz roupas de linho fino, e vende-as, e dá cintas aos mercadores. A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações. Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua. Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça. Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada. Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras.” (Provérbios 31:10-31)

Essa mulher é resultado do temor ao Senhor! Deus nos chama para termos essa mesma atitude e posição, para abandonar a preguiça e trabalharmos a fim de nos tornarmos tudo aquilo que Ele sonhou, determinou e conquistou para nós!

Em Cristo,

Sérgio Franco ><>

O pecado da preguiça – parte 3

28 ago

caramujo

“O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta.” (Provérbios 13:4)

Parece que existe uma maldição que acompanha o preguiçoso pois ele convive com uma sensação de que nunca tem nada, de que sempre está faltando algo. Já o diligente, vive com a sensação de que está sempre farto, abundante.

“O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana.” (Provérbios 15:19)

“A preguiça faz cair em profundo sono, e o ocioso vem a padecer fome.” (Provérbios 19:15)

“O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca.” (Provérbios 19:24)

Esse último verso se repete em Provérbios 26:15. O preguiçoso já “meteu a mão no prato”, já fez ou resolveu uma parte mas não quer ter o trabalho de concluir, de “levar à boca”. Isso é algo chocante e, infelizmente, existe demais no mundo hoje. A geração atual não quer ter trabalho. A grande maioria das pessoas nascidas nos últimos 30 anos, que o mundo chama de “Geração Y” e “Geração Z”, são múlti estimuladas. São pessoas de muitos talentos, de muitas oportunidades, mas que não se aprofundam em nada, não consolidam o que começam, não “vestem a camisa” do que fazem. Dificilmente vemos uma pessoa desta geração ficar mais de 10 anos em um mesmo emprego. É igual ao jogador de futebol moderno que troca continuamente de clube, e não é somente por uma questão de salário, mas, sim, por pertencer a uma geração que se estimula pela novidade e não se satisfaz com uma mesma coisa por muito tempo.

Trabalhar não é algo que emociona pois exige fazer a mesma coisa muitas vezes. Trabalhar, também, não é administrar uma situação caótica (pois isso qualquer medíocre faz), mas é trazer uma solução para o caos; é fazer algo ao invés de apenas falar.

“Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas.” (Provérbios 22:13)

“Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas.” (Provérbios 26:13)

Quantas desculpas nós damos para não fazer o que deve ser feito? As desculpas geralmente são dadas em primeiro lugar para nós mesmos. “Leão na rua” é papo de preguiçoso; não há desculpa para não fazer o que é preciso. No meio profissional, principalmente, essa situação é muito forte e recorrente.
Lembro-me da história do vendedor de sapatos:

“Era uma vez uma indústria de calçados que desenvolveu um projeto de exportação de sapatos para a Índia. Em seguida, mandou dois de seus consultores a pontos diferentes do país para fazer as primeiras observações do potencial daquele futuro mercado. Depois de alguns dias de pesquisa, um dos consultores enviou o seguinte fax para a direção da empresa: “Chefe, cancele a produção, pois aqui ninguém usa sapatos”. Sem saber desse fax, o segundo consultor mandou à direção da empresa a seguinte observação: “Chefe, triplique a produção, pois aqui ninguém usa sapatos”.

Essa história mostra que quem tem desculpas para não trabalhar já está derrotado. Para vencer é preciso criar o que não existe, fazer o que ninguém faz. Se a caça já é nossa, se já colocamos a mão no prato, então precisamos consolidar, concluir o trabalho.

Continua no próximo post

No amor do Senhor Jesus,

Sérgio Franco ><>

O pecado da preguiça – parte 2

22 ago

preguiça

“Como vinagre para os dentes e fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam.” (Provérbios 10:26)

O vinagre anestesia e a fumaça impede a visão da pessoa. Também queima e arde. Não sei exatamente qual o sentido de Provérbios, mas é muito ruim quando mandamos alguém fazer algo e essa pessoa, de tão preguiçosa que é, acaba nos fazendo perder a visão do que lhe havíamos pedido, ou seja, ela embaça, confunde, incomoda a nossa visão.

“O preguiçoso não assará a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser ele diligente.” (Provérbios 12:27)

Diligência é o contrário da preguiça. Às vezes agimos como preguiçosos em várias situações e dizemos, como um eufemismo, que apenas fomos negligentes. Já presenciei algumas pessoas pedindo perdão por terem sido negligentes. Sempre que a Bíblia fala sobre ser diligente ela está se colocando como contraponto ao preguiçoso.

Outra verdade importante é que a preguiça não deve ser confundida com doença. Imagine a seguinte cena: Uma pessoa está deitada, prostrada no chão e passa alguém e lhe pergunta: “O que essa pessoa tem?” E você responde: “Ela está cansada ou doente, coitada”. Isso irá trazer um sentimento de pena, de misericórdia para quem perguntou. Entretanto, se você responder: “É preguiça”, a reação dessa pessoa será outra.

Muitos são tão preguiçosos que até gostam de ficar doentes. Lembro-me de uma época, quando militar, que houve uma epidemia de conjuntivite e o pessoal do quartel se expunha a alguém doente, torcendo para pegar o vírus simplesmente para poder ficar em casa. Já ouvi também sobre alguém que quebrou um dedo para poder pegar licença do trabalho. Este homem hoje é um cristão e segundo me contou, fez isso mais de uma vez. No entanto, ele hoje já deu frutos de arrependimento.

“Não assará a sua caça”. Imagine que você tem algo em suas mãos que já é seu, que você já conquistou mas que ainda não consolidou. Quantas vezes começamos a fazer algo e não terminamos, deixamos parado no meio do caminho? Quantos sonhos, projetos e alvos estão engavetados? Tempos atrás comecei a fazer um curso à distância e, devido a uma grande quantidade de viagens, acabei perdendo matérias e avaliações importantíssimas. Terminei o período, mas decidi trancar o curso. Mesmo tendo a consciência de que não negligenciei, fiquei triste, pois é muito ruim quando matamos a caça e não trazemos à boca. “Assar” é consolidar, executar, terminar o que começamos.

Continua no próximo post.

No amor do Senhor Jesus,

Sérgio Franco ><>

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