Escolhi esperar a morte

14 set

Li e ouvi, recentemente, na internet uma afirmação sobre casamento que muito me perturbou. Tratava-se da ideia de que a pessoa casada que “crê” ter errado em sua escolha de cônjuge precisa “esperar em Deus” até que seu marido, o então fruto da escolha errada, morra. Dessa forma, a pessoa estaria livre para escolher a tal “pessoa certa”. É estarrecedor ler e ouvir essa ideia. Pois, quando medito na Palavra de Deus, vejo uma ideia completamente diferente do que é amor e do que é casamento.

Começarei avaliando uma das causas mais difíceis de resolver em problemas conjugais, o jugo desigual. A mulher ou homem que se convertem a Jesus não devem se separar do cônjuge não convertido, caso esse aceite viver com alguém convertido. Pois, o cônjuge cristão santifica o que não é (1 Co 7. 13, 14). Sendo assim, não vemos em momento algum Paulo dizendo aos que “sofrem” com um marido/esposa descrente que eles devem pedir divórcio, ou algo parecido. Sabemos que morte, significa separação. E, uma expectativa de morte do cônjuge, significa que a pessoa que sofre deseja uma separação. Em relação a esperar a morte do cônjuge, a ideia transmitida é que tal atitude é aprovada por Deus. Agora, irmãos, se Paulo diz aos que possuem cônjuge descrente, que eles não devem se divorciar (algo que aconteceria na vida terrena), que dirá almejarem a morte um do outro, uma separação eterna. O que se “esperaria”, nesse caso, é que a solução para um problema conjugal agudo seria a morte do cônjuge que provoca o sofrimento no casamento. Imagine alguém que ama, que se comprometeu diante de Deus estar com o cônjuge na alegria, tristeza, pobreza, riqueza, etc. Em seu interior, esperando que o outro morra para a partir desse momento, escolher outra pessoa. No fundo, se alguém casado espera isso, já não quis outra pessoa em seu coração? Como esperar “em Deus” a morte de alguém, sabendo que Deus é amor?

E ainda podemos ler na Bíblia, que “o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta…” (I Co. 13:7). Portanto, não devemos excluir algumas coisas. Tudo significa, de fato, todas as coisas. Não posso dizer que amo alguém com o amor de Deus e esperar a morte desse alguém. Sérgio Franco, um dos meus pastores, tem uma observação pertinente sobre esse assunto:

“Muitas mulheres até chegam a orar para que seus maridos morram, sem entender o real propósito de Deus: conformar-nos a imagem do Senhor Jesus. Ele é soberano, se quiser tirar alguma carga da nossa vida, tirará, porém os nossos corações não devem hospedar um sentimento de rejeição. Deus odeia o repúdio. Repudiar vem antes de divorciar”.

Mas, a primeira pessoa a nos ensinar sobre casamento, apesar de nunca ter se casado, nos ensina, com sua vida, como marido e mulher devem se tratar. Cristo foi quem morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Ele não esperou nossa morte, para fazer outra humanidade que lhe servisse e que lhe agradasse. Ele escolheu sim, morrer por gente caída, pecadora, escolheu sofrer, escolheu “trabalhar” (Is 53.11) por nós a fim de se reaproximar da gente. Ele nos escolheu desde antes da criação do mundo, mesmo sabendo quem seríamos. Ele escolheu morrer e assim nos mostrou o que devemos fazer por nosso próximo, seja o nosso cônjuge, os nossos amigos ou a humanidade. Devemos desejar a morte sim, mas a do nosso Eu, da nossa vontade, para assim cumprirmos nosso propósito: sermos agradáveis a Deus em nosso viver. Que todo sentimento de rejeição ao próximo dentro de nós tenha apenas um alvo, a morte. A NOSSA morte.

 Ana Carolina de Assis Brum Pires
Twitter: @AnaCBrum
Facebook: https://www.facebook.com/carol.deassisbrum

 

6 Respostas para “Escolhi esperar a morte”

  1. Felipe Wagner setembro 14, 2012 às 9:21 AM #

    A que ponto chegamos!
    Desejar a morte é como o homicídio em si, pois já se esta matando a pessoa no coração, sem exercer nenhuma forma de perdão ou demonstrando o amor que Deus tem por seus filhos. A humanidade caída está a cada dia “surpreendendo” cada vez mais com seus pensamentos, agora para ficar bem com Deus vale até “cumprir a Lei” para que depois, quando o juízo chegar “Deus não tenha do que reclamar”.

    Que o Senhor nos de a Graça de Conhece-lo mais, e nos livre de nós mesmos!

    Graça e Paz seja com todos
    Felipe Wagner

  2. Kelly Pimentel setembro 14, 2012 às 2:17 PM #

    É verdade… O diabo sempre tenta nos desanimar em relação ao nosso casamento, porque se ele conseguir destruir o casal, destrói uma família inteira… Mesmo quem casou no Senhor, sofre dificuldades, sofre ataques do inimigo. Mas Jesus é a nossa esperança! Com a mente esclarecida/renovada em Cristo podemos renovar nosso ânimo, e nos enchermos de esperança! Que Ele cresça e que nós diminuamos. Precisamos mesmo, morrer a cada dia, para que Ele viva em nós.

  3. Leni setembro 14, 2012 às 7:12 PM #

    Ótimo texto! Realmente, o amor é a essencia, Jesus é amor. Com Ele restauramos todas as coisas, até nossos relacionamentos “ruins”; depositemos nossas vidas em Suas mãos e tudo será restaurado. Bom final de semana no amor de Cristo Jesus.

  4. Paty setembro 15, 2012 às 12:05 AM #

    Amei o texto Carol, muito edificante! Glórias a Deus por sua vida e ministério :) Bjs

  5. Rafael P. Abreu Rosa setembro 18, 2012 às 12:02 PM #

    Tem pessoas que julgam um casamento ser de Deus e não se Deus ou ter a pessoa certa ou a pessoa errada. Daí “legalizam” (ou aceitam( o divórcio alegando o casamento não ter a aprovação de Deus. Ignoram textos claros e explícitos da palavra. Jesus disse que a única razão das pessoas insistirem no divórcio é a dureza do coração. Não a aprovação ou não de Deus no casamento. O texto diz o que Deus uniu não separe o HOMEM. Homem não é alguém de fora do casamento somente mas os conjugês não são autorizados a desfazer uma união. Por trás da idéia de pessoa certa ou errada quase semrpe há um desejo de “livrar-se” de um mal ou problema. Precisamos entender urgentemente que o bom pastor nos conduz ao vale da sombra da morte! Deus vai usar casamento, trabalho, igreja, doenças, problemas sociais etc para em tudo cumprir seu propósito. Pois todas as coisas cooperam para o bem daqueles que são chamados segundo seu propósito. Quando somos revelados disso tudo muda! Que o Senhor revele seu eterno propósito aos nossos corações a cada dia! Abraços!

  6. Gabi Knupp setembro 29, 2012 às 4:33 PM #

    Obrigada Carol! Mto edificante este texto! : )

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