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“Lugar de igreja é nas casas” – parte 1

31 ago

igreja nas casas

Estou convencido de que a nossa maior dificuldade para entender a vida da igreja nas casas é a nossa compreensão sobre a própria igreja. Por isso, antes de falar da igreja se reunindo nas casas, vou escrever um pouco sobre a essência da igreja. Pois se entendermos a igreja, podemos  vê-la como relacionamentos da família de Deus nas casas.

COMO SURGIU A IGREJA?

Através da nossa união com Cristo nasceu então a igreja, que também é chamada, dentre muitos nomes, de família de Deus, corpo de Cristo, noiva do Cordeiro e templo do Espírito Santo. A igreja, por sua multiforme expressão, é exemplificada de muitas maneiras. Ela também é chamada de lavoura de Deus, casa de Deus, edifício de Deus, coluna e
baluarte da verdade. Não é fácil defini-la, portanto, vamos deixar as Escrituras descrevê-la:

O QUE É A IGREJA?

“E ele mesmo (Jesus Cristo) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,” Efésios 4:11-13, RA.

Uma igreja certamente não é aquele prédio de esquina, com janelas de vitrais e o campanário em cima. A igreja talvez se reúna lá, mas este prédio não é a igreja,

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” Efésios 3:20,21, RA.

A palavra original no grego, ekklesia, é composta por duas palavras: ek, que significa “para fora de” e Kalleo, que significa “eu chamo”. o significado simples da palavra igreja no grego é: “eu chamo para fora de” , ainda que a compreensão do termo no grego não seja suficiente para compreender a igreja, pois ela é espiritual e portanto precisamos de
revelação, se fosse tão racional assim, vários mestres modernos e pós modernos das Escrituras já teriam visto a igreja, uma vez que eles conhecem muito mais a letra do que a maioria de nós.

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” Efésios 5:25-27, RA.

Numa tradução livre, quando Jesus disse: “Eu edificarei a minha igreja”, Ele poderia estar dizendo: “Chamarei o meu povo para fora do mundo. Eles congregarão em meu Nome e as portas do inferno não prevalecerão contra eles”.

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” 1 Pedro 2:9, RA.

Alguns defendem que “ekklesia” tem dois significados e sentidos: o de sermos chamados para fora e o de estarmos reunidos, pois não podemos experimentar a igreja até que nos reunamos.

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” Mateus 18:20, RA.

“…para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” 1 Timóteo 3:15, RA.

Todos os cristãos de uma cidade constituem a igreja desta cidade. Mesmo quando não se reúnem juntos no mesmo lugar, ainda assim são igreja. “Reunir-se” não significa que precisamos estar no mesmo lugar ao mesmo tempo. Isso, provavelmente nunca acontecerá em nenhuma cidade. Muitos tentam encontrar uma “definição universal de uma igreja local bíblica”, um modelo de igreja na cidade. Isso é realmente difícil, já tentamos mais de uma vez e portanto sei do que estou falando. Em 1990, portanto há mais de vinte anos, li uma definição muito interessante, embora não absoluta: “Pessoas movendo-se juntas sob o senhorio de Jesus Cristo”.

“E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.” Efésios 1:22,23, RA.

“…para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais,” Efésios 3:10, RA.

“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” 1 Pedro 4:10, RA.

A igreja de Deus vive para Sua glória. Ela deve manifestar o Senhor e fazer a Sua vontade. Ela é a expressão do reino de Deus sobre a terra. Sendo família de Deus ela é composta pelos filhos de Deus na terra e no céu. Sendo corpo de Cristo ela obedece a cabeça e cumpre o seu ministério. Quando a igreja não cumpre o seu papel, o Senhor a anima, repreende e até corrige (disciplina), a fim de que ela não seja julgada com o mundo. Situações como estas nós lemos nas cartas às sete igrejas da Ásia (capítulos 2 e 3 de Apocalipse).

Há mais de vinte anos Deus nos falou sobre este tema. Creio que a igreja a qual estou vinculado ainda não experimentou de fato esta revelação na sua plenitude. Por que digo isso? Porque nós nos esbarramos em estruturas que muitas vezes impedem a vida de comunidade. Oro ao Senhor que me conceda experimentar esta bênção aqui na terra. Tenho que admitir que durante estes anos já avançamos alguma coisa e que até estivemos mais perto desta realidade, mas o mundo concorre e com a ajuda da carne nos acomodamos e retrocedemos. Muitas vezes até tornamos a edificar o que destruímos debaixo de convicção de arrependimento.

Nos finais dos anos 80, as primeiras lições que nos chegaram eram simples e portanto, muitos de nós, por conta na nossa herança religiosa, relutaram em receber a visão que Deus estava nos dando.

Como Deus começou a nos falar sobre este tema? Ele começou a nos mostrar o papel da casa desde o início. E mesmo com um linguajar ainda religioso, nós começamos a considerar o seguinte:

O PRIMEIRO “CULTO DE ADORAÇÃO” À JESUS CRISTO ACONTECEU NUMA CASA.

“Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.” Mateus 2:11, RA.

O PRIMEIRO “CULTO DE CURA E LIBERTAÇÃO” FOI NUMA CASA

“Tendo Jesus chegado à casa de Pedro, viu a sogra deste acamada e ardendo em febre. Mas Jesus tomou-a pela mão, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo. Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes;” Mateus 8:14-16, RA.

O PRIMEIRO “CULTO DE CEIA” FOI REALIZADO NUMA CASA

“E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos.” Mateus 26:18, RA.

JESUS PREGOU A MUITAS PESSOAS REUNIDAS EM CASAS

“Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.” Marcos 2:1, 2, RA.

O PENTECOSTES VEIO A UMA IGREJA EM CASA

“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.” Atos 2:1, 2, RA.

O EVANGELHO CHEGOU AOS GENTIOS EM UMA CASA

“Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judéia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus. Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o argüiram, dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles.” Atos 11:1-3, RA.

SAULO PERSEGUIU A IGREJA NAS CASAS

“Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere.” Atos 8:3, RA.

JESUS SE IDENTIFICA PLENAMENTE COM A IGREJA NAS CASAS

“e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” Atos 9:4, RA.

“Então, caí por terra, ouvindo uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” Atos 22:7, RA.

“E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões.” Atos 26:14, RA.

PAULO CONVERTIDO PLANTAVA E AMAVA A IGREJA NAS CASAS

“Saudai Priscila e Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios; saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles. Saudai meu querido Epêneto, primícias da Ásia para Cristo.” Romanos 16:3-5, RA.

“As igrejas da Ásia vos saúdam. No Senhor, muito vos saúdam Áqüila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles.” 1 Coríntios 16:19, RA.

“Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa.” Colossenses 4:15, RA.

“e à irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que está em tua casa,” Filemon 1:2, RA.

PAULO, ANTES DE SER PRESO E MORTO ALUGOU UMA CASA E ALI REUNIA A IGREJA

“Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.” Atos 28:30, 31, RA.

A igreja do primeiro século se reunia nas casas. Ela não tinha prédios. Os prédios não apareceram até o ano 232 d.C. O período mais explosivo de crescimento da igreja na história aconteceu nos primeiros anos, quando não havia nenhum prédio chamado igreja. Como disse anteriormente, Paulo saudava a igreja nas casas (Rm. 16:3-5; 1 Co. 16:19, Cl. 4:15, Fm. 1:2).

Sei que muito se fala na atualidade sobre a igreja nas casas, mas este tema não é tão novo. Na verdade, quando eu tinha lá os meus 28 anos, já conversávamos sobre isso e buscávamos cada vez mais compreender este “modelo” de igreja.

No final dos anos 80, conversei com meu pastor algumas vezes sobre a vida da igreja nas casas. Ele achava graça e considerava tudo uma utopia. O meu argumento principal com ele era o fato de existir nos países, onde a igreja era perseguida, várias casas hospedando a igreja.

Semana passada, enquanto limpava o meu escritório, deparei-me com uma carta, endereçada ao meu pastor amado, datada de 06 de abril de 1989. Assinei a carta assim: “Sérgio Rodrigues Franco, servindo à igreja que se reúne nos lares e no salão sito à Rua…” Dei uma gargalhada ao recordar que em 1989, os discípulos que caminhavam conosco, já consideravam a possibilidade da igreja ser igreja também nas casas.

Seguindo na minha faxina encontrei outra relíquia. Em fevereiro de 1990, uma revista americana publicou o relatório de Loren Cunningham, fundador e presidente da JOCUM (Jovens com Uma Missão): “De acordo com o U.S. Center For Mission (Centro Americano Para Missões Mundiais), mais de 22.000 chineses estão vindo a Cristo a cada dia. É o equivalente a 7 dias de Pentecostes a cada 24 horas.”

Claro que não haviam prédios para todos os novos convertidos. Onde então estava se reunindo esta igreja? Você já sabe a resposta: “NAS CASAS”.

Continua no próximo post…

Em Cristo,

Sérgio Franco

Guardando o coração e a boca

9 jun

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“Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1 Co. 1:21).

Por que as pessoas ouvem tantas coisas hoje, mas não ouvem aquilo que realmente faz a diferença em suas vidas? Todos nós, cristãos, sabemos que Deus escolheu salvar o mundo pela “loucura da pregação”. Talvez para o incrédulo isso não faça o menor sentido: como é que alguém falando alguma coisa sobre Deus ou sobre a palavra pode salvar outra pessoa? Mas a fé que salva vem exatamente assim, pela mensagem, pela palavra. A mensagem sai e encontra um coração sedento, produzindo vida. É algo milagroso.

A Palavra é vida, é uma semente poderosa. Jesus disse que “…as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (Jo. 6:63). Imagine a Palavra saindo, encontrando corações mortos e gerando vida neles. 

Quantas vezes Deus já falou com você pela palavra, pela oração, por um livro, por uma música cristã, etc.? Deus sempre fala e, quando Ele se cala, há algo muito errado. Mas, Ele quer falar através de nós, da igreja. É através das nossas bocas que Ele quer comunicar o Seu Reino. A vida ou o testemunho pessoal fala, mas Jesus também quer que falemos com a boca. Ele nos chamou para sermos Suas testemunhas (Atos 1:8). Testemunha conta o que viu e ouviu, tem de abrir a boca e falar, comunicar o que está acontecendo em sua vida. 

“…prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não…” (II Tm. 4:2). A Palavra que salva sai através da mensagem falada; então, falemos em todo o tempo, a tempo e fora do tempo, para todas as pessoas que pudermos. É na Palavra que há edificação, crescimento. Quando comunicamos a Palavra de Deus sempre haverá crescimento. 

Mas, a pergunta é: Por que não temos falado tanto, comunicado tanto o Reino como deveríamos? Por que as nossas conversas são mais vãs do que santas? 

“Filho meu, atenta para as minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina os ouvidos. Não os deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-os no mais íntimo do teu coração. Porque são vida para quem os acha e saúde, para o seu corpo. Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios. Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (Provérbios 4:20-27). 

Guardar o coração é a verdadeira chave da vida. O nosso problema não está na boca, é mais profundo. A fonte não é a boca, mas, sim, o coração. 

“Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado” (Mateus 12:33-37).

Jesus estabeleceu uma relação entre a árvore e o coração e questionou como pode uma árvore má produzir frutos bons, como pode uma pessoa falar coisas boas se o seu coração é mau, e concluiu dizendo que a boca fala do que o coração está cheio; falamos aquilo que temos no coração. Se são conversas fúteis, é porque o coração está cheio de futilidades. Muita gente enche diariamente suas mentes e corações de coisas inúteis e dessas coisas falam o dia todo. 

Jesus não tinha meias palavras, ele falava a verdade. A primeira vez que ele pregou em uma sinagoga, foi expulso e ainda quiseram matá-lo. A própria parentela de Jesus o chamava de lunático, porque ele falava as verdades que as pessoas não gostavam de ouvir; ele denunciava os corações dos homens, não poupava ninguém. Falava por amor e com amor, mas falava. Neste texto ele foi mais forte, chamando os homens de “raça de víboras” porque eles, além de não edificarem, ainda envenenavam os outros.

A linguagem, a comunicação é o que mais nos assemelha com o Criador. Deus fala conosco, nós refletimos e depois comunicamos, expressamos com a boca o que está dentro de nossas mentes e corações. E, talvez por isso também, colecionamos tantos pecados quando falamos. Existe uma coleção de pecados na Bíblia que são cometidos pela boca.

1. Pecamos quando falamos demais.

Falar demais não significa falar muito. Muitos, com apenas cinco minutos, conseguem falar demais. Aquele que não modera seus lábios é imprudente e néscio, tolo. Pessoas de coração inquieto falam demais.

“No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente” (Provérbios 10:19).

“Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias” (Eclesiastes 5:3).

2. Pecamos quando falamos palavras vãs, fofocas.

“Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno… Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo” (Mateus 5:37; 12:36).

“Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR” (Levítico 19:16)

“As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre” (Provérbios 18:8).

Um coração leviano produz palavras vãs, fofocas, maledicências. Fofoqueiro não é somente aquele que fala, mas também aquele que ouve. É um pecado que não se comete sozinho, mas precisa de alguém, de um cúmplice. Um fala mal, o outro escuta e deixa descer ao coração. Fofoca é algo tão maligno que “vende” muito através da mídia e os fofoqueiros parecem querer dizer que têm intimidade com as pessoas que estão sendo faladas. Dá “ibope” falar da vida dos outros. Quem ouve gosta, se alimenta daquilo, são “doces bocados”, como diz Provérbios. Muitos ferem a outros por meio da língua:

“Então, disseram: Vinde, e forjemos projetos contra Jeremias; porquanto não há de faltar a lei ao sacerdote, nem o conselho ao sábio, nem a palavra ao profeta; vinde, firamo-lo com a língua e não atendamos a nenhuma das suas palavras” (Jeremias 18:18).

“Além do mais, aprendem também a viver ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem” (1 Timóteo 5:13).

“Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem” (1 Pedro 4:15).

O sofrimento do intrometido não glorifica a Deus. Muita gente se intromete na vida de outros e depois fica destruído e se julgando perseguido. Isso não é perseguição, pois a pessoa é intrometida, coloca-se onde não é chamada e depois colhe os frutos dessa intromissão. 

3. Pecamos quando murmuramos. A murmuração revela um coração ingrato.

“Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador” (1 Coríntios 10:10).

4. Pecamos quando mentimos. A mentira encobre um coração soberbo. A pessoa soberba está sempre pronta para mentir, enganar, fingir, dissimular.

“Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Provérbios 6:16-19).

“Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu prazer” (Provérbios 12:22).

“Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (Apocalipse 21:8).

5. Pecamos quando bajulamos. O coração fingido gera lábios bajuladores.

“Socorro, Senhor! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens. Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido. Corte o Senhor todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente, pois dizem: Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós?” (Salmos 12:1-4).

“A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha” (1 Tessalonicenses 2:5).

6. Pecamos quando falamos impensadamente. Um coração irado dá lugar ao diabo, promovendo situações que ferem as pessoas.

“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo” (Efésios 4:26,27).

7. Pecamos quando falamos com incredulidade. Um coração incrédulo fala contra as coisas que Deus diz.

“Porém os homens que com ele tinham subido disseram: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. E, diante dos filhos de Israel, infamaram a terra que haviam espiado, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura” (Números 13:31,32).

Isso acontece com relação à cura de enfermidades, salvação, vitória sobre pecados, etc. levando as pessoas a falarem contra o que Deus prometeu em Sua palavra. É muito comum algumas pessoas dizerem: “Eu tenho certeza que vou precisar operar”, “Tenho certeza que esse negócio não vai dar certo”, etc. É uma fé para o negativo, para o contrário do que a palavra de Deus diz. Isso sem falar das expressões: “A minha enfermidade”, “a minha dor”, “o meu problema”, etc. Se ainda é meu, então Jesus não levou com Ele para a cruz.

Nas horas de angústia e dor precisamos, mais do que nunca, nos apegarmos às promessas do Senhor, àquilo que Ele falou e que está escrito. As promessas existem, mas temos de nos apossar das mesmas. Isso aconteceu com os espias que lemos em Números. Deus mandou que eles espiassem a terra pois a daria a eles, mas, ao chegarem lá e enxergarem os gigantes e as circunstâncias difíceis, voltaram dizendo o contrário do que Deus havia falado.

O mais trágico de ter um coração incrédulo é que acabamos ensinando às pessoas o contrário do que Deus falou, preceitos meramente humanos que não estão na Bíblia.

“Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:7,8).

Se falarmos ou ensinarmos coisas que não estão na Bíblia, por mais santas que pareçam, são preceitos humanos. E, quando passamos a ensinar preceitos humanos no intuito de “guardar o povo”, para se guardar ou apenas para agradar as pessoas, significa que não cremos realmente no que Deus fala.

Lembro-me de uma reunião de líderes em minha casa, alguns anos atrás, quando comecei a ensinar os irmãos a corrigir os filhos. Havia um líder mais idoso, com os filhos já crescidos, que disse: “O que ele está falando não tem sentido, pois nunca corrigi meus filhos e eles são uma bênção”. Isso gerou uma situação complicada, pois ele falava o contrário do que eu estava ensinando. Então, inspirado pelo Espírito, disse aos meus líderes: “Olha, vocês não têm de me ouvir, mas decidam: ou vocês ficam com a Palavra, ou ficam com a experiência desse irmão. Quem quiser ficar com a experiência dele, fique; mas, quem quiser ficar com a Palavra, escute o que eu digo.” Anos depois, esse irmão começou a passar por problemas gravíssimos com seus filhos. Um deles era policial e foi preso por cometer um crime grave, sendo condenado a 56 anos de cadeia. Quando aquele jovem estava sendo levado preso, aquele pai começou a chorar e disse: “Onde foi que eu errei?” E eu tive de dizer a ele: “Todo pai erra, mas você, em especial, eu sei. Você disse naquela reunião que nunca corrigiu seu filho.”

“A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Provérbios 29:15).

O filho entregue a si mesmo faz o que quer, não tem freios, não tem limites e despreza o que Deus fala.

Eu posso garantir a todos que já receberam o Senhor Jesus em seus corações que não precisam viver uma vida miserável. Só irá viver uma vida miserável aqueles se quiserem, pois o Espírito Santo nos dá condições de vivermos uma vida diferente do mundo; Ele nos dá poder para vivermos a Palavra.

Existe uma maneira muito especial de comungar, de ser cheio com o Espírito Santo:

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Efésios 5:18-21).

Falando, entoando, louvando, dando graças e se sujeitando. Isso funciona para todos, pois recebemos uma nova natureza, Jesus vive em nós. Não precisamos ser escravos da língua, de um coração perverso e mau.

Existe uma lacuna muito grande entre o que nós somos em Cristo Jesus e o que nós vivemos em Cristo, e ela só existe porque não fazemos valer a vitória da cruz, não levamos a sério as coisas que Jesus conquistou para nós em Sua morte, o que já alcançamos pela fé. Dessa forma, não desenvolvemos uma nova vida, condizente com a nova natureza que Ele nos deu.

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:17).

Pergunte-se: “Como deve ser a vida normal de uma nova criatura?” Comece a fazer uma limpeza em seu coração, jogue fora tudo que não procede da palavra de Deus, comece a ouvir a voz do Senhor em seu interior, aquilo que Ele está lhe ensinando. Preste atenção às coisas que você está falando e ensinando. É mentira, lisonja, bajulação, fofoca, murmuração, coisas demais? O que está saindo da sua boca? A partir desse entendimento você pode reconhecer o estado do seu coração, se arrepender e proceder uma limpeza interior com a ajuda e a força do Espírito Santo.

É ouvindo o que você fala que pode mudar suas práticas. Encha sua boca e seu coração com salmos e louvores, veja as situações ruins de outra forma e agradeça sempre ao Senhor por tudo! Amém!

No amor do Senhor Jesus,

Sérgio Franco ><>
Twitter: @francoamd7
Facebook: https://www.facebook.com/sergio.franco.servolivre

Rio de Deus – Parte final

6 jun

unção

Que unção é essa?

Mateus 25:1-13 – “Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.”

Essa unção é a que lemos neste texto, o óleo das dez virgens, a unção que todas as dez deveriam ter comprado mas só cinco o fizeram. E, quando essas se deram conta e quiseram comprar o óleo daquelas que já tinham, elas disseram que não poderiam vender ou simplesmente passar aquela unção para as outras, porque a unção tem um preço.

Você quer um avivamento de verdade, que traspasse essas paredes que nos separam, que vá além dos nossos relacionamentos dentro da igreja? Quem deseja um avivamento de verdade deve estar com o coração aberto para Deus lhe aplanar, acertar corrigir, curar, restaurar. Se você não permitir que Deus lhe cure, como é que essa água vai seguir jorrando? O Senhor tem de tirar os entulhos que estão lá dentro!Neste exato momento o Senhor está trabalhando em nossos corações através do Seu Espírito Santo, mesmo que não vejamos isso com nossos olhos naturais. Jesus falou: “Eu edificarei a minha igreja!” (Mateus 16:18) e a igreja que Ele está edificando hoje não são paredes físicas, naturais, pois Jesus trabalha com pedras vivas, que somos nós.

1 Pedro 2:5 – “…também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.”

Mateus 4:1 diz que “O Espírito tomou Jesus e o levou ao deserto”. Quem levou Jesus ao deserto para ser tentado foi o Espírito Santo. Jesus tinha acabado de ouvir do Pai, por ocasião do Seu batismo nas águas que “Esse é meu filho amado, em quem tenho prazer” (Mateus 3:17). Mas em seguida, Jesus foi para o deserto e ouviu o diabo lhe questionar e tentar roubar a Sua identidade. Quem é guiado pelo Espírito Santo ao deserto tem que ter um coração aberto para não perder sua identidade para o diabo.

O diabo disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4:3,4). Um coração aplanado, limpo, se alimenta do que vem do céu, se alimenta da palavra de Deus. Você pode estar passando por isso agora, o diabo lhe questionando se você é realmente filho de Deus, lhe perguntando onde é que está o seu Deus, o seu Pai, porque você está sofrendo… Então, chegou a hora de viver não só do pão que perece, mas da Palavra que flui continuamente! É hora de ir à fonte, beber da água da vida! É hora de viver pela Palavra, é hora de se apegar às promessas de Deus!

Os planos de Deus não podem ser frustrados. É hora de enfrentar a verdadeira batalha espiritual, a batalha do dia a dia. Tudo pode morrer, menos a esperança, a fé e o amor (1 Coríntios 13:13). A esperança é uma âncora, é um cenário onde a fé é cravada. A sua fé precisa da esperança. O diabo não pode roubar a sua esperança porque a sua fé necessita dela. Se você espera, você pode crer. Então, para manter a fé, mantenha a esperança! Quem conhece os nossos limites é Deus, e Ele tem provado cada um de nós, mas ao final nós seremos vasos de honra, instrumentos de Deus para fazer a obra Dele.

2 Timóteo 2:20,21 – “Ora, numa grande casa não há somente utensílios de ouro e de prata; há também de madeira e de barro. Alguns, para honra; outros, porém, para desonra. Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra.”

Você será o manancial de Deus, uma fonte jorrando para saciar aqueles que estão morrendo de sede. Fugir não vale a pena, não é isso que Deus tem para você. O pecado o leva ao abismo. Não caia nessa cilada de ficar somente esperando a chuva de Deus. O que Deus estabeleceu para nós foi o seguinte: “Os que crêem em mim, conforme diz as Escrituras, do seu interior fluirão rios de água viva”!

Deus quer você bebendo mas também dando de beber. Ele não planejou você para viver uma vida mesquinha, egoísta, onde só busca resolver os seus próprios problemas. Deus planejou você para uma vida onde não somente é saciado mas também sacia a alma dos sedentos.

Hebreus 12:1,2 – “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus…”

O grande desafio é viver todo dia agradando a Deus, sem fugir, sem desistir e sem olhar para trás, olhando firmemente para Jesus, enfrentando todos os desafios que virão. Deixe o Senhor limpar o seu coração, esteja aberto para o ministério da reconciliação que Ele já colocou em seu coração por intermédio do Seu Espírito Santo. Amém!

2 Coríntios 5:18,19 – “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.”

No amor do Senhor Jesus,

Sérgio Franco ><>
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Rio de Deus – parte 1

5 jun

Rio

João 7:37-39 – “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.”

Era uma festa. Mas essa festa estava seca, sem vida. Em tempos de seca, de deserto, a nossa maior expectativa vem do céu. Quem está num lugar seco e árido está sempre a espera de chuva e fica sempre olhando para o alto, buscando o temporal, a chuva. Mas, muitas vezes, ela não vem. Você quer a chuva de Deus? Mas e se Deus falar que não vai fazer chover sobre você, que essa não é a intenção d’Ele? Deus não quer um avivamento de chuvas caindo, mas sim um avivamento de fontes jorrando! 

Por que nós sempre tendemos a limitar as ações de Deus, a achar que Ele só pode vir de um único lugar? Por que a nossa tendência sempre é estabelecer um caminho para Deus agir, principalmente quando estamos no “sufoco”? Estamos sempre olhando para o mesmo túnel e querendo ver a luz no final, sempre olhando para a mesma direção e dizendo: “Dali virá o meu salvador!” Mas e se Deus, na Sua sabedoria e soberania disser que o caminho é outro? Que Ele não quer simplesmente trazer um avivamento de uma chuva que cai mas logo passa? O Senhor não quer um avivamento com uma chuva que se derrama, mas logo depois o solo estará seco novamente e, mais uma vez, esperando a próxima chuva. 

Nesta festa Jesus não estava falando de uma chuva literal. Era um momento religioso, seco e muito frio; a religião estava quebrada, falida. Era uma festa que, com certeza não alegrava ninguém, porque a alegria vem do Senhor. A unção do Espírito é que nos alegra, pois é o vinho de Deus correndo entre nós. Aquela festa com certeza não encheu ninguém, não avivou ninguém, porque é Deus quem aviva o interior das pessoas. 

Deus não quer um avivamento entre pessoas egoístas onde somente alguns matam a sua sede. O avivamento que Ele quer é aquele que você bebe mas também dá de beber a outros, onde você se sacia, mas também sacia a sede de outros. O Espírito de Deus está entre nós dizendo: “Eu não vou Me derramar sobre você apenas para matar a sua sede; não é esse o Meu plano. O Meu plano é abrir em você um manancial de águas, é cavar em você, abrir uma fonte em você. Esse é o meu projeto!”

Existem muitos lugares e corações que estão secos, existem lugares que neste exato momento estão morrendo e o plano de Deus é levar uma fonte jorrando para lá. Não é uma chuva ou nuvem passageira apenas, mas é uma fonte de água viva. Será que você pode dizer: “Eu quero ser essa fonte; não quero apenas água para beber, mas quero ser mais do que isso; eu quero poder também matar a sede de outros!”

Muitos de nós recebemos o Espírito Santo apenas para guardá-Lo, para retê-Lo, para ter Sua “reserva” e beber d’Ele apenas em nossa própria casa. Às vezes não temos o coração aplanado, limpo, preparado e liberado para essa fonte jorrar. Recebemos sim, mas o coração está fechado para dar e, quando ele está fechado, a água para de jorrar. O Espírito Santo precisa de um canal aberto para fluir, precisa de um coração aberto.

1 João 3:17 – “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?”

Se alguém fechar seu coração como é que o amor de Deus vai permanecer nele? O amor precisa de um canal aberto, de um lugar para Ele fluir, correr. O motivo da nossa secura, da nossa frieza é o coração fechado, é o egoísmo, é a fuga, como fez Moisés quando fugiu para o deserto depois de ter matado um egípcio na força do seu braço, tentando libertar o povo (Êxodo 2). Ele matou uma pessoa e foi ser pastor no deserto. Arrumou um casamento e ficou por lá.

Mas, vamos ficar fugindo até quando? Até quando vamos fugir do nosso compromisso com Deus? Você acha que nesse deserto Deus vai fazer o que Ele sonhou com você? Vai atender o chamado que arde no seu coração? Muitos fogem como Jonas fugiu quando ouviu de Deus que ele deveria ir para um lugar que ele não amava, o último lugar que ele queria estar (Jonas 1). Você já foi desafiado para ir a um lugar que talvez fosse o último que você gostaria de estar?

Salmos 84:5-6 – “Bem-aventurado o homem cuja força está em Ti e em cujo coração, encontram-se os caminhos aplanados, o qual passando pelo vale árido, faz dele um manancial de bênçãos e cobre a primeira chuva.”

Um manancial, quando já está lotado e a chuva vem, apenas o faz transbordar, inundar. Existe uma unção que temos de pagar por ela, que não recebemos simplesmente pela imposição das mãos. Que unção é essa? (SEGUE NO PRÓXIMO POST).

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Aliviando o estresse no descanso do Pai

23 mai

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Estudando sobre estresse e depressão, um dos autores que pesquisei dizia que para analisar as causas desses sintomas em uma pessoa é necessário pesquisar os últimos 2 ou 3 anos de vida dela. Devido ao acúmulo de tensões no decorrer do tempo a pessoa vai-se enfraquecendo até que, talvez por uma pequena situação, ela “explode”. O problema não foi essa última causa, mas o acúmulo de situações que gerou o que a engenharia chama de “fadiga de material” – quando este sofre uma pressão contínua acima do que pode suportar. Ao perder sua capacidade de resiliência, de retorno ao seu estado original, ele se rompe. Isso acontece com qualquer material e também conosco.

Todos passamos por estresses de ordem emocional, física, familiar, profissional, financeira etc., por pressões de todos os lados e de todas as formas. Quando Deus criou o homem, o fez para viver em um jardim e todas essas situações da vida moderna não estavam previstas. Um dia, entretanto, aconteceu um desastre de proporções incalculáveis que foi o pecado. Então a vida passou por uma mudança radical e o homem passou a viver em um ambiente hostil e estressante.

Um médico canadense disse que o estresse é algo que acontece conosco em meio a uma civilização criada por nós mesmos que já não suportamos. Ou seja, o meio em que vivemos é uma imensa fonte de estresse. Suas causas são inúmeras; entretanto, eu creio que a maior delas é a ansiedade. A Bíblia diz “não andeis ansiosos de coisa alguma” (Filipenses 4.6). Isso não é uma proibição, mas uma proteção. Ansiedade é o sentimento, a angústia que temos diante de situações que não podemos controlar. Mas, devemos entender que o único que realmente tem controle sobre todas as coisas é o Senhor Jesus.

O estresse é, então, uma reação do organismo que envolve componentes psicológicos, hormonais e físicos que tiram o equilíbrio produzindo ansiedade. Entretanto, a vida é uma sucessão de equilíbrios e desequilíbrios e o que devemos entender é que tudo aquilo que não podemos controlar deve ser colocado nas mãos do Senhor. As coisas contrárias existem, são reais e não conseguimos lutar contra elas e, por isso, precisamos nos submeter ao Senhor.

O capítulo 14 de Mateus contém algumas lições muito fortes, seja no contexto histórico como no contexto pessoal. Historicamente, porque nesse capítulo é relatada a morte de João Batista, que não foi uma pessoa qualquer. Segundo o próprio testemunho de Jesus, “entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João” (Lucas 7.28). Todos os profetas da Bíblia, incluindo Moisés, apontaram para e culminaram em João Batista. Mateus 14 relata a morte de alguém precioso para Jesus, seu primo e precursor. Esse homem, honrado e amado por Jesus, foi morto em uma prisão de maneira fútil e inglória. Não entendemos porque ele foi morto assim, mas o fato é que Deus permitiu que isso acontecesse. Alguns autores afirmam que João ficou cerca de um ano na prisão. Esse tempo foi de grande estresse para ele, a ponto de duvidar de coisas que havia crido e falado anteriormente:

Mateus 11.2,3 – “Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?”

João era a única pessoa que não podia ter essa dúvida, pois foi ele próprio que introduziu Jesus ao mundo como o Messias prometido: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29). A ansiedade e o estresse produzem essas dúvidas, fazendo-nos colocar em questão as verdades que já conhecemos. Sabendo trabalhar com as dúvidas elas fortalecem a nossa fé; do contrário, se não as colocarmos em Deus, elas nos farão questionar inclusive o próprio Deus. Curiosamente, Jesus não responde a pergunta de João, mas manda dizer-lhe:

Mateus 11:4,5 – “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.”

Com isso, Jesus estava dizendo: “João, a resposta está dentro de você, é o que você já sabe“. Esse é um dos segredos para não ser tomado pelas dúvidas: consultar no próprio coração aquilo que já sabemos em Deus. Após receber a notícia da morte de João (Mateus 14:13), Jesus se retirou para um lugar solitário para estar com Deus. Esse foi um momento de grande estresse em sua vida. Ao ouvir o ocorrido, seu coração se contristou, acelerou (pois ele não era imune a dores) e a pressão daquela perda, daquela tragédia, fez Jesus se voltar para Deus, buscar refúgio no Pai não para entender, porque ele compreendia tudo, mas para buscar forças, “combustível” em Deus para continuar sua missão. Ele precisava estar diante do Pai devido àquela situação, mostrando-nos, com isso, o caminho a seguir diante de uma situação de estresse: a oração.

Filipenses 4.6 – “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.”

A ansiedade termina e o descanso começa na oração. Entretanto, quando nos preparamos para estar na presença de Deus, para termos um tempo a sós com o Pai, fatalmente alguma coisa tentará impedir que isso aconteça. Mas até mesmo a obra de Deus não é mais importante que o nosso tempo com Ele, tanto é que Jesus retorna mais tarde àquele seu lugar de quietude e oração (verso 23 – “E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.“) Naquele momento de grande estresse, Jesus nos indicou o caminho por onde devemos trilhar para acabar com os nossos estresses: apartados, sozinhos na presença de Deus. Ele é a fonte da nossa renovação. Em minha própria vida, nos momentos de profundos cansaços e estresses, durante e após grandes pressões, fui revigorado, renovado na presença de Deus.

Os discípulos não compreenderam a totalidade do que estava acontecendo: João morrendo e Jesus se afastando. Mas, quando a multidão chegou, eles tentaram proteger Jesus. Os discípulos tinham essa ideia de protegê-lo e fizeram isso por diversas vezes: quando a mulher com fluxo de sangue tentou tocá-lo, quando o cego Bartimeu pediu sua atenção, quando Jesus disse que iria para Jerusalém para sofrer, entre outros. Isso representava um grande estresse para eles. Ao cair da tarde, milhares de pessoas estavam famintas e não havia como se alimentarem. Após um dia inteiro de imenso estresse, uma nova situação se apresenta para os discípulos, que se preocuparam tanto com Jesus quanto com a multidão: “O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer.” Em outras palavras estavam dizendo: “Nós não temos capacidade para suprir esse povo; que eles busquem suprir a si mesmos, que busquem recursos no deserto!” A proposta deles era que Jesus se livrasse de um grande problema. Eles olharam para as circunstâncias e acreditaram que Jesus estava debaixo das mesmas limitações que eles tinham.

Entretanto, vamos considerar que ali havia no mínimo 15.000 pessoas. Se elas saíssem pelas aldeias, onde encontrariam tantos pães? Ou seja, a proposta dos discípulos não surtiria efeito para aquele povo; era impossível encontrar tamanha quantidade de pães. Mas eles não perguntaram se Jesus era capaz de alimentar aquela multidão. Assim também nós, muitas vezes, acreditamos que Deus é limitado para resolver as questões que nos trazem angústia, esquecendo-nos do que a Palavra diz:

Efésios 3:20 – “Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós…”

A obra de Deus não é baseada naquilo que temos ou somos, mas no que Ele é. Não temos em nós mesmos forças para sermos santos, para obedecer, para fazer a vontade Dele. Ele sabe disso e por isso enviou Seu Espírito para habitar em nós. Portanto, fiquemos tranquilos em nossa incapacidade e falta de poder não permitindo que isso crie ansiedade. Nós somos limitados, mas Deus não é! Se fizermos qualquer coisa em nossa própria capacidade a glória será nossa, e não Dele. Um amigo de ministério me disse certa vez: “Não coloque em Deus os seus limites, pois você é limitado, mas Deus não!” Deus trabalha com poder e graça ilimitados. Em João 21, Jesus perguntou aos discípulos se haviam pescado alguma coisa, ao que responderam “não”. Então, ele lhes mandou jogar as redes e pescaram 153 grandes peixes. Quando retornaram, viram uma fogueira acesa e um peixe assando, ou seja, Jesus não usou os peixes que eles pescaram, pois ele não depende de nós. Em meio àquele imenso estresse, Jesus lhes disse: “Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer!” Qual princípio vemos aqui? Que Jesus não dá trabalho a desocupados. Ele não vai “desestressar” alguém para chamá-lo ao ministério; todos os que Jesus chamou estavam muito ocupados. Nosso estresse não se alivia no ócio, mas somente Nele, na presença Dele.

Entre a multidão havia um rapaz que tinha levado cinco pães e dois peixes (João 6.9) e Jesus lhe pediu. Entretanto, ele não dependia daquilo, pois, sendo Deus, poderia ter criado alimentos do nada. Na verdade ele quis esgotar as capacidades dos discípulos, pois milagre só acontece quando acabam os recursos.

O jovem, por sua vez, poderia ter retido para si aquele seu lanche, mas o entregou a Jesus. Qual a lição? Quando nos sentirmos sem nada ou com apenas um pouquinho, não suficiente, entreguemos a Jesus, pois ele vai usar o nada que somos ou o pouco que temos para poder multiplicar. Ele quer que aprendamos a nos desapegar do que temos, pois quer nos usar não com nossos próprios recursos, mas com os Dele.

Talvez essa seja a maior lição que individualmente e como congregação precisamos aprender, pois os desafios e apelos que temos recebido são muitos. Olhamos para as contas bancárias, preços de passagens aéreas, projetos carentes em cidades e países e dizemos: “Deus, não temos condições!“, e o Senhor nos diz: “É assim que eu trabalho; vocês sem condições e Eu com todas as condições!”  Ao lhe entregarem os pães, Jesus mandou que a multidão se assentasse. Quem está estressado, precisa aprender a sentar, descansar, confiar, se assentar nos lugares celestiais, pois ali é o nosso lugar de descanso, de repouso; se retirar e orar, lançando sobre Ele toda ansiedade. Oração é mais do que falar, mas é um lugar diante de Deus. Às vezes nem falamos nada, mas estamos ali, às vezes gemendo e chorando, às vezes falando e às vezes em silêncio devido à angústia interior.

Mateus 6.6 – “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”

O Senhor vê mais do que ouve. Ele vê a nossa postura, nossa atitude, pois é fato que não sabemos orar como convém (Romanos 8.26), mas podemos ficar em Sua presença. Esse lugar secreto pode ser no monte, no quarto, na empresa, mas deve ser, principalmente, no íntimo do coração, quando olhamos para dentro de nós mesmos e contemplamos o Senhor ali presente. A seguir, Jesus ergueu os olhos para o céu. Assentados e olhando para os céus! Essa é a lição: nosso socorro não vem de pessoas, empregos ou circunstâncias.

Salmos 121.1 – “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?”

Montes eram aqueles lugares onde as pessoas subiam para prestar sacrifício aos seus deuses, esperando que eles lhes suprissem em alguma coisa. Pode ser o monte de um emprego, de uma promoção, de um diploma etc., mas de nenhum desses lugares deve vir o nosso socorro e, sim, do Senhor.

Colossenses 3.1,2 – “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;”

Dessa forma, tiremos os olhos de onde não pode vir nenhuma esperança e os coloquemos no Senhor que fez os céus e a terra.

“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete e ainda com oito, porque não sabes que mal sobrevirá à terra. Estando as nuvens cheias, derramam aguaceiro sobre a terra; caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar em que cair, aí ficará. Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.” (Eclesiastes 11.1-4).

A mentalidade humana diz: “Já que eu não sei o que vai acontecer amanhã, vou guardar, poupar, reter.” Mas Jesus ensina o contrário: Ele nos manda lançar nosso pão sobre as águas, repartir, doar, pois, estando as nuvens cheias, derramarão chuva sobre nós. Tudo que fazemos para abençoar a outros é como a água que sobe como vapor, condensa na presença de Deus e volta sobre nós em abundância. Mas não vamos repartir esperando receber de volta e, sim, porque esse é o nosso ministério, esse é o dom que Deus nos deu.  Certa vez li um texto que dizia: “No tocante a dar, ninguém nunca conseguirá vencer a Deus!” Quando o Senhor nos manda dar, Ele está dizendo: “Meu filho, abra sua mão, pois eu a quero encher!” Quando os discípulos começaram a repartir os pães esses começaram a se multiplicar em suas mãos.

1 Pedro 4.10 – “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”.

A ênfase de Jesus, portanto, estava no repartir, no dar. Se você quer mais bênçãos em sua vida, dê, abençoe a outros. Não fique parado esperando o pão multiplicar, esperando as coisas chegarem. Dê o que você tem, sirva com o que você é e Deus vai multiplicar. Acima de tudo, porém, dê a si mesmo ao Senhor pois esse é o maior dos sacrifícios. Entretanto, quando damos a Ele não o fazemos pessoalmente, mas nas pessoas dos nossos irmãos – repartimos com eles e Deus vai fazendo Seus milagres.

Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças” (versos 20 e 21). Os discípulos estavam cansados. Eles acolheram a multidão, protegeram Jesus, distribuíram os pães e ainda recolheram as sobras.

Logo em seguida, Jesus despediu as multidões e lhes deu uma nova missão:

Mateus 14.22-33 – “Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram. Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste? Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!”

Jesus ordenou aos discípulos que fossem para o outro lado do mar e, novamente, “subiu ao monte, a fim de orar sozinho” (vs.33). Ele voltou ao seu lugar secreto. A grande obra de Jesus era estar diante de Deus. Tudo o mais era secundário e consequência, mas o que ele mais gostava de fazer era estar diante do Pai, pois ele sabia que ali era a sua fonte de descanso. Enquanto os discípulos estavam remando, Jesus estava diante do Pai se refazendo. Estando eles no mar, o barco era “açoitado pelas ondas, porque o vento era contrário”, ou seja, mais uma grande situação de estresse. Também diz o texto que eles já estavam na “quarta vigília da noite“, entre três e seis horas a manhã. Por que o Senhor não apareceu antes para socorrê-los? Porque ele sempre nos deixa “esticar” até que olhemos para cima. Os milagres só irão acontecer quando se esgotarem todos os nossos recursos. Enquanto houver um recurso, por menor que seja o milagre não acontece; quando este acaba, o Senhor intervém. Nós trabalhamos naquilo que é difícil e Deus nos dá graça para isso. Entretanto, quando chega o impossível, aí entra a ação de Deus. Naquela situação de extremo estresse eles viram Jesus se aproximando e acreditaram ser um fantasma. Em situações de estresse também passamos a ver “fantasmas”, ter visões, enxergar o que não é – o diabo, maldições, circunstâncias, pessoas etc. Assim como os discípulos, esquecemos de “Reconhece-O em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3.6).

Elias também passou por uma grande situação de estresse. Após matar 850 profetas, por causa de uma ameaça de Jezabel, ele fugiu para se esconder. Sua depressão era tão grande que ele se assentou debaixo de um arbusto e pediu a Deus que o matasse (1 Reis 19.4-6). Isso é o que acontece quando não tratamos da depressão e da ansiedade: passamos a distorcer os fatos, ver o que não existe, falar bobagens e deixamos de ver a realidade de Deus.   Nossa tendência é achar que Deus virou Seu rosto de nós, que Ele Se esqueceu de nós, que Ele não nos ama mais, que Ele tem coisas mais importantes para fazer do que nos dar atenção. Esta é uma das piores blasfêmias que alguém pode pensar ou dizer, pois vai contra a natureza paternal e amorosa de Deus.  O Senhor nos ama como somos e perdoa todo pecado confessado. O que fazemos não é maior que o Seu amor por nós, e não há prova maior do que a morte de Seu Filho em nosso lugar. Assim, nunca cogite que Deus se esqueceu de você, pois isso ofende a Ele.

Isaías 49.15 – “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.”

Isaías 59.2 diz que os nossos pecados fazem separação entre nós e Deus, mas não diz que fazem separação entre Deus e nós. Quem se afasta somos nós, mas Ele não muda um milímetro sequer da Sua posição em relação a nós. Ele é Amor e não muda o que sente por nós. Fico pensando na dor, na angústia que o Senhor vai sentir naquele dia final, quando criaturas Dele forem para o inferno.  Se não crermos que Ele nos ama começaremos a ver “fantasmas” no meio do estresse. A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Romanos 12.2). A intenção e os pensamentos Dele a nosso respeito são de paz e não de mal (Jeremias 29.11).

Quando os discípulos ouviram a voz de Jesus, Pedro pediu-lhe, como prova de que era mesmo ele, que pudesse ir ao seu encontro sobre as águas. Isso revela uma ingenuidade, uma pureza, uma confiança maravilhosa da parte de Pedro. Entretanto, quando começou a caminhar nas águas e sentiu a força do vento contrário (esqueceu o fato e apoiou-se no sentimento), ele começou a afundar. Conosco também acontece isso. Mas os fatos reais são: Jesus sempre está conosco, nós estamos assentados com ele nas regiões celestiais e a nossa vida está escondida juntamente com Cristo em Deus (Colossenses 3.3). O Pai quer que confiemos Nele e nos lancemos completamente em Suas mãos. “Subindo ambos para o barco, cessou o vento.” A presença de Jesus está no barco conosco e ele acalma os ventos externos e as piores tempestades internas. Quem nos dá segurança é o Senhor, e não o barco. Ele é o nosso refúgio, o nosso socorro nas horas de angústias. Ele é quem firma os nossos pés na rocha, quem abre caminhos no deserto e rios no ermo. Ele é nosso provedor, cuidador e sustentador (Salmos 46.1).

E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!” Assim termina o texto de forma maravilhosa, apontando para a divindade de Jesus Cristo. Essa é a maior revelação que o ser humano precisa ter: Jesus Cristo é Deus; ele é a fonte do nosso descanso, quem multiplica o nosso pão, quem faz o nosso coração se aquietar, quem acalma as tempestades dentro e fora de nós. Somente essa revelação pode mudar radicalmente as nossas vidas.

Talvez tenhamos reais motivos de estresse, mas o que importa é que o Senhor é a fonte do nosso descanso. Ele é quem nos chama a descer do barco e andar com Ele independente dos ventos contrários e das ondas agitadas. Talvez Ele nos coloque dentro do barco novamente, mas isso não importa; o que importa é estar com Jesus!

 
Jamê Nobre
Extraído do site Servindo com a Palavra

Quem tem razão?

16 abr

cabo de guerra

A maioria de nós quer ter razão, quer estar certo, principalmente quando nos envolvemos em conflitos entre os irmãos, em problemas de relacionamentos, dentro da família, dentro da igreja ou mesmo no mundo. Exaltamo-nos e esperamos que Deus nos exalte. 

O único problema é que Deus não exalta o que tem razão, aquele que está certo aos seus próprios olhos, ou o que tem a verdade segundo a sua própria avaliação. DEUS DÁ GRAÇA AOS HUMILDES. DEUS EXALTA AOS HUMILDES!

“Antes, ele dá maior graça; pelo que diz:Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” Tiago 4:6

Como disse, é mais importante se humilhar do que estar com a razão ou certo aos nossos próprios olhos.
No teste da humildade, o maior desafio não é nos SUBMETER àqueles que julgamos e consideramos maior do que nós. A maior demonstração de humilde é nos sujeitar aos que são menores, segundo o nosso entendimento.
Os mais novos devem submissão aos mais velhos, porém no “trato mútuo”, todos nós devemos nos humilhar.

“Rogo igualmente aos jovens:sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi- vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai- vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte,” 1 Pedro 5;5-6

Creio de verdade que o Espírito Santo me inspirou a escrever esta reflexão e por isso eu oro para que esta pequena mensagem chegue a um coração necessitado de ouvir. Estou certo que quando não vemos o Senhor em meio aos conflitos interpessoais, nos amargamos e, uma vez contaminados, contaminamos outros por causa da nossa raiz de amargura. Que o Senhor abra os nossos olhos para vermos.

No amor do Senhor Jesus,

No amor do Senhor Jesus,

Franco e DeniseSérgio Franco ><>

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Não deixe de congregar – parte final

27 mar

Se estamos sendo humilhados e resistidos, vamos buscar em Deus os motivos, deixar Deus mostrar e falar conosco, nos disciplinar e admoestar. Orar é se humilhar, é reconhecer que eu não posso fazer nada sem Ele, que eu preciso do Senhor para tudo e em tudo. Oração é dependência total no Senhor, é humildade. Quando a pessoa está em pecado ou “na carne”, não consegue orar. Uma pessoa quebrantada pode estar sem forças para orar, mas Deus ouve até os seus gemidos (Romanos 8:26).

Se você faz parte de um grupo de comunhão de irmãos, disponha seu coração a ajudá-los, mas não “alisando” o ego das pessoas e, sim, levando-os a compreenderem e aceitarem o propósito de Deus em meio às críticas, humilhações, injustiças ou sofrimentos que estejam passando, glorificando a Deus pela oportunidade de crescimento. Não ajudamos as pessoas apontando os defeitos e erros dos outros ou os males que lhes causaram. Isso não irá torná-las mais maduras. Fale o que as pessoas precisam ouvir, e não o que querem ouvir.

Existe muita gente cheia de mágoas, rancor e ressentimentos porque se acham injustiçadas. Elas devem ser admoestadas conforme Paulo ensinou: “Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” Só assim poderão ser ajudadas. Advertir, admoestar, corrigir, disciplinar são mecanismos de ajuda, de bênção, de serviço; servem para colocar as pessoas novamente “no trilho”. Corrigir é mostrar a verdade, é algo positivo, é para nos fazer crescer. O evangelho nos traz o modelo de amor, de perdão, de serviço, de sofrimento, de mudança. Jesus e os discípulos nos ensinaram e demonstraram esse caminho. Somos exortados a perdoar, servir e amar como Cristo o fez.

Colossenses 2:6, 3:12-17: “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele… Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”

Suportar o sofrimento e as injustiças é algo que agrada e glorifica a Deus:

1 Pedro 2:19-21: “Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.”

O Espírito Santo nos consola para podermos consolar a outros. É isso que leva as pessoas ao crescimento, à maturidade, ao aperfeiçoamento. Que glória há se provocamos alguém e sofrermos as consequências disso? Glorificamos a Deus quando não fazemos nada de errado, sofremos injustamente e suportamos isso por causa da consciência para com Deus. Fomos chamados para suportar a tristeza dos sofrimentos injustos.

Jesus sofreu em nosso lugar, por causa dos nossos pecados, deixando-nos um exemplo para seguirmos. Portanto, ensinar as pessoas a perdoar, a amar, a servir e a sofrer ajuda-as a entender e viver o chamado de Cristo e se confrontar com a verdade. Disciplina não é juízo sobre os outros, mas ajudar alguém que está precisando. Disciplina é prova de amor e paternidade.

Hebreus 12:5-8: “E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.”

Eu penso que há um pecado que dói mais no coração de Deus do que a queda. Creio que a nossa reação à disciplina é mais importante do que o erro que causou a disciplina. Nós podemos rejeitar, desprezar a disciplina e até podemos desmaiar em nossas almas, mas o que Deus espera é que a recebamos com um coração aberto e penitente. Que nos humilhemos diante da Sua Palavra e nos convertamos de todo o coração, pois só assim seremos participantes da Sua santidade. Necessitamos disciplinar e sermos disciplinados.
Precisamos que Deus incendeie os nossos corações motivando-nos a ajudar verdadeiramente as pessoas. Que nos importemos de fato com elas para as confrontarmos com os erros que estão vivendo.

Recentemente eu provei um milagre desses em minha vida. Percebi que estava me “enferrujando”, me entregando, deixando algumas coisas passarem, não querendo mexer ou confrontar algumas situações, sentindo-me cansado. Então, Deus me repreendeu com amor perguntando-me: “O que você quer fazer? Você quer se aposentar? Quer parar de falar as coisas que os outros precisam ouvir? Quer parar de congregar?” Quando estamos assim cansados não queremos encontrar ninguém, receber ninguém, ir na casa de ninguém. Perdemos o desejo e o prazer de estar junto com outros. Cansa tratar com pessoas, cansa ser mal interpretado, cansa ver as pessoas cometerem os mesmos erros, cansa ficar mal com as pessoas por ter de corrigi-las, cansa ser criticado e rotulado o tempo todo. Eu estava cansado e, então, Deus me perguntou se eu queria me aposentar, desistir, abandonar minha carreira, DEIXAR DE CONGREGAR ou, então, reagir. Ele colocou uma escolha diante de mim. Então, decidi voltar, pois entendi que, quando desisto do meu irmão, estou desistindo do Senhor.

Esta é a vontade de Deus para nossas vidas! Crescer e ajudar outros a crescer, nunca desistir de congregar e sempre edificar-nos uns aos outros para a glória do Senhor Jesus!

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.” Gálatas 6:9, RA.

No amor do Senhor Jesus,

Franco e DeniseSérgio Franco ><>
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Não deixe de congregar – parte 3

20 mar
Amizade

2 Timóteo 2:24-26: “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.”

Paulo nos ensina a não vivermos contendendo com as pessoas. Devemos ser brandos para com todos, porém aptos para instruir e disciplinar com mansidão os que se opõem a verdade. Nós não iremos acertar sempre, mas o Senhor deseja que tenhamos um estilo de vida quebrantado, ou seja, nas horas que errarmos, nos humilhar, arrepender, confessar e acertar – um estilo de vida humilde. Deus trabalha em nós para que tenhamos um estilo de vida humilde, que sejamos parecidos com Jesus.

Mateus 11:29: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.”

Deus conhece nossos corações e se encarrega de exaltar aqueles que são verdadeiramente humildes. Lucas 10:21 diz que Jesus oculta as coisas aos sábios e as revela aos pequeninos, aos humildes. Ele dá luz àqueles que Lhe agradam; a revelação é fruto, consequência de um coração quebrantado. O soberbo, além de resistido por Deus, é cego para as coisas espirituais. A pior coisa que existe é tentar mostrar algo para uma pessoa soberba, pois ela não enxerga e não escuta a palavra.

Nossas repreensões têm um propósito:

2 Timóteo 2:24-26: “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.”

Disciplina pode ser desde uma correção verbal, pessoal, íntima até uma exposição pública. A repreensão visa basicamente duas coisas: que a pessoa se arrependa para conhecer plenamente a verdade e que ela retorne a um estado de sensatez.

Devemos atuar com a expectativa certa, ou seja, de que Deus concederá ao faltoso, não só o arrependimento para conhecer plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez. O resultado pode quebrar os laços do diabo – “livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.”

Lembre-se: a falta da disciplina produz morte: “Ele morrerá pela falta de disciplina, e, pela sua muita loucura, perdido, cambaleia.” Provérbios 5:23, RA.

Há pessoas cristãs que se comportam com tamanha insensatez que mais parecem ímpias.

Quando a pessoa cai em si e retorna à sensatez (exemplo, o filho pródigo em Lucas 15), ela se livra dos laços do diabo a que estava sujeita e amarrada. No texto acima entendemos que a ação do diabo se desfaz através da disciplina; seus laços se quebram quando a pessoa retorna à sensatez.

Muitas vezes tentarmos libertar os irmãos de forma mística, fazendo campanhas de oração e libertação para soltar “o crente”, mas, os demônios que atuam sobre crentes só saem com posicionamentos, atitudes e disciplinas por parte daqueles que exercem autoridade sobre os que estão sujeitos aos laços deles.

“… o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.”

Considerando o que Paulo disse à Timóteo, podemos também vencer os demônios admoestando, repreendendo, expondo a pessoa às verdades da Palavra de Deus. Muitos irmãos estão cativos por estarem vivendo em práticas pecaminosas, obstinados e insensatos. O pecado pode ser a mágoa, o rancor, a autocomiseração, etc. Alguém tem de chegar até essa pessoa e, ao invés de ficar alimentando as “razões” dela, levá-la ao arrependimento, à mudança de atitude através da admoestação ou da disciplina. Levá-la a entender o que é ser um discípulo de Jesus, a viver segundo a Palavra de Deus. Ninguém cresce se permanecer amarrado pelo diabo, se viver na insensatez.

Para se libertar, a pessoa deve se conhecer, entender de verdade o seu problema, enxergar sua miséria e a raiz dos seus males, para não voltar novamente às práticas erradas. Esses laços, porém, só são quebrados pelo retorno à sensatez, pelo “cair em si”. Nossos problemas não são os outros, não são as injustiças que nos fazem ou as pessoas carnais que vivem conosco, mas são nós mesmos. Só eu tenho o poder de amarrar, impedir, reter ou bloquear minha vida, meu crescimento, meu ministério, etc. Se sou humilde, Deus me exalta. pois ninguém pode me impedir de amar, servir, crescer, etc. Se Deus age em minha vida, quem poderá me impedir (Isaías 43:13)? Quando Deus nos exalta, ninguém nos humilha. Quando o Pai exaltou a Jesus, ninguém foi capaz de prendê-lo, nem mesmo a morte (Filipenses 2:9,10, Romanos 8:37-39). (CONTINUA…)

No amor do Senhor Jesus.

 
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Não deixe de congregar – parte 1

14 mar

solitário

Há algum tempo eu tive um sonho muito interessante. Havia um grupo de irmãos em uma casa, muito desejosos de crescer espiritualmente e de viver a verdadeira igreja. Só que eles não se deixavam ser tocados pelos outros e muito menos estavam dispostos a tocar quem quer que seja. Não queriam falar ou cooperar com ninguém, queriam viver suas próprias vidas. Também, não havia abertura em seus corações para receber qualquer palavra. Quando acordei, senti Deus fazendo uma pergunta ao meu coração: “Qual é a chance deste grupo crescer?” Crescer fala de maturidade, de qualidade, de santidade. Eu respondi ao Senhor dizendo que era algo muito difícil, pois não queriam tocar e nem se deixar ser tocados.

Gálatas 5:19-21: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”.

Quando o texto acima veio a minha mente, o Senhor me perguntou então se seria possível este grupo ser salvo, se poderia haver salvação sem transformação. Entendi que não seria possível, pois este grupo precisaria estar aberto para a santidade, para o crescimento, pois os santos é que verão a Deus. A bíblia diz que há um caminho aberto a todos para a salvação (João 1:12), mas também diz que, se o homem não fizer a vontade de Deus, não entrará no Seu Reino:

Mateus 7:21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”

Assim, não é possível haver salvação sem passar pela transformação e, se não aceitarmos a transformação que Deus quer operar em nós, estaremos indo contra o plano d’Ele de nos salvar. A salvação é uma obra plena e não apenas uma experiência de um dia. Sei que alguém pode argumentar e dizer que o ladrão na cruz teve um único encontro com Jesus e foi suficiente. É verdade, mas não podemos ignorar que ele também não teve tempo de lambuzar mais uma vez sua vida. Ele não saiu dali para viver deliberadamente no pecado.

“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.” Hebreus 10:26-30, RA.

O texto acima, curiosamente, é a conclusão de um mandamento apostólico:

Hebreus 10:25: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. Porque, se vivermos deliberadamente em pecado,…”

A santidade também passa pelos confrontos no corpo de Cristo. Existe muita gente que não tem disposição para tocar ou ser tocado. Na verdade, a maioria das pessoas não gosta de ser repreendida ou corrigida. Custa muito alguém chamar a nossa atenção e dizer que estamos errados; ficamos intimidados, chateados. Somos muito justos aos nossos próprios olhos, estamos sempre prontos para vermos os erros dos outros e não os nossos. Não somos bons para vermos as virtudes alheias. Mas ninguém cresce vendo os erros dos outros e vendo apenas sua própria justiça. Começamos a crescer quando enxergamos nossos erros, pois é a única chance que temos de nos arrepender, de mudar, de ver as nossas misérias.

Hebreus 10:25: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.”

Neste texto, o autor de Hebreus denuncia o motivo de muitas pessoas não quererem viver como igreja. Nós gostamos de grandes reuniões pois não precisamos nos envolver, mas apenas cantar e ouvir uma palavra abençoada. Ou, então, assistir ao culto pela internet; assim não precisamos sair do conforto do lar. Mas, infelizmente, muitos se tornaram “consumidores evangélicos” – só pensam em si, querem apenas consumir o que o evangelho dá, querem ouvir e conhecer boas palavras mas sem nenhuma intenção ou desejo de viver o que ouvem. Gostam de prédios de igrejas que disponham de um bom estacionamento para seu carro, de um ambiente agradável com ar condicionado, escola para cuidar de seus filhos, etc. Se der dízimo ou oferta, então se sente com mais direitos ainda, como se estivesse pagando por estas “benfeitorias”. Em um “ambiente de culto” é muito fácil vivermos apenas como cristãos “comuns”. Mas, quando temos de ir para um ambiente menor, onde precisamos relacionar e viver o que ouvimos, os desafios aumentam (CONTINUA NO PRÓXIMO POST).

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A reputação e o copo

20 fev

copo quebrado

Recentemente, vendo as notícias do Face, li esta mensagem do copo. Então me lembrei que um dia um pastor, tentando justificar suas feridas, me contou uma parábola parecida com esta do copo. Ele havia sido difamado por outro pastor. Porém, um belo dia, o difamador pediu perdão. O pastor ferido me disse com base na parábola do “copo”: – “Está vendo Franco, o pedido de perdão dele não pode reparar o dano que ele me causou. Na verdade, ninguém mais pode restaurar a minha reputação”.

Imediatamente, perguntei a ele: – “Quem foi o rei Davi? Ele prontamente me respondeu: – “Um homem segundo o coração de Deus”. Concluí: – Interessante! Você poderia dizer que Davi foi um soberbo, pois fez um senso para se engrandecer, ou um adúltero, pois deitou com a mulher de outro homem, ou ainda um assassino, mas você só consegue se lembrar de que ele foi um homem segundo o coração de Deus.

Balaão foi um profeta procurado por um rei distante. Deveria ser famoso nos seus dias, mas nenhum cristão genuíno que ser um profeta como Balaão. Salomão foi um rei sábio, rico e famoso. Porém, nós não queremos terminar nossos dias como ele terminou os dele. Saul foi rei sobre Israel, bonito e ungido. Mas tampouco queremos ser comparados a ele. Por que? Porque nós sabemos o que Deus falou sobre cada um deles.

Deus também disse que “Davi era um homem, segundo o Seu coração”.

Pois é, no final de tudo, o que conta mesmo, é o testemunho de Deus. A nossa reputação é Deus quem restaura e sustenta, mesmo quando nós mesmos a destruímos.”

“Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2:17).

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